BNDES: financiamento para máquinas pode atingir 100%

O setor de bens de capital (máquinas e equipamentos) e algumas indústrias ligadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) poderão ter até 100% de cobertura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na aquisição de financiamentos. A informação foi divulgada pelo presidente da instituição, Luciano Coutinho, após evento no Itamaraty para anunciar as novas medidas de combate aos impactos da crise financeira internacional. Durante o evento, a informação era de que a cobertura poderia atingir até 80% da operação de crédito.

CÉLIA FROUFE, ISABEL SOBRAL E RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

29 de junho de 2009 | 14h54

"Em geral, a cobertura será de 80%, mas em alguns setores poderá chegar a 100%", resumiu Coutinho, sem especificar quais seriam os setores ligados ao PAC e que poderiam ser beneficiados. O presidente do BNDES explicou que o segmento de bens de capital foi a principal preocupação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando da formulação das medidas. Ele disse também que o incentivo ao refinanciamento das empresas endividadas é uma medida e ajudará as companhias mais fragilizadas com a crise financeira em relação à rede bancária privada.

"Algumas empresas estão com dificuldades hoje e o que estamos permitindo é que elas possam financiar as parcelas vencidas, ganhando seis meses de carência, e aumentar em 12 meses o prazo total do financiamento", explicou. Coutinho avaliou que a facilidade de refinanciamento ajudará essas empresas a atravessarem o momento de crise, tendo como perspectiva voltarem a ser saudáveis no futuro e merecedoras de crédito.

Estímulo

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse que ainda há várias medidas em avaliação para o estímulo da economia em avaliação no governo. Mas, segundo ele, no curto prazo não deve ser possível atender pleitos como o do setor de bens de capital, que ainda pede redução do prazo para depreciação acelerada do uso de máquinas e equipamentos e devolução do estoque de crédito de Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). "Acredito que a questão do estoque é difícil de resolver. Não há uma maneira muito viável de fazer isso. Por isso, estamos trabalhando para tentar resolver pelo menos o fluxo para não avolumar o problema das empresas", disse o ministro.

Miguel Jorge avaliou que o desempenho da economia no segundo trimestre de 2009 será, na pior das hipóteses, equilibrado. Ele aposta, porém, que haverá uma reação da economia no terceiro trimestre, com uma aceleração mais forte nos últimos quatro meses do ano. O ministro disse ainda que o governo irá agir duramente contra as empresas fabricantes de bens de capital que estão importando peças e trocando as plaquetas. "É um tema de lesa-pátria porque as máquinas importadas não podem ter financiamento em condições especiais. É um crime", disse.

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