BNDES financiará até US$ 166 milhões para comprador da Varig

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) confirmou hoje que irá conceder um empréstimo-ponte aos interessados em comprar a Varig no leilão judicial previsto para ocorrer em 60 dias. O valor do empréstimo ponte é de até US$ 250 milhões, mas o BNDES irá financiar apenas dois terços deste valor. Com isso, o valor máximo a ser liberado será de US$ 166 milhões, acima dos US$ 100 milhões informados ontem na assembléia de credores, que aprovou a proposta de venda da companhia aérea em leilão.Os investidores interessados deverão ser pré-qualificados pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil e atender aos critérios bancários do BNDES. Em função do prazo para a entrada dos recursos solicitados pelos atuais gestores da Varig ser exíguo, será exigida, como garantia ao financiamento, carta de fiança bancária, equivalente ao montante de financiamento a ser concedido pelo BNDES.Caso haja mais de um investidor que atenda às condições, o valor do financiamento será dividido proporcionalmente às propostas individuais aprovadas para os diferentes investidores. Devido à urgência do empréstimo-ponte, conforme solicitado pelos atuais gestores da Varig, somente serão considerados os investidores que formalizarem ao BNDES o interesse na obtenção da colaboração financeira até às 18h do dia 15 de maio.Proposta aprovadaNo modelo de venda aprovado ontem pelos credores da Varig, o investidor poderá escolher se pretende comprar a Varig operacional, que engloba os ativos totais da empresa (rotas nacionais e internacionais), ou apenas a parte doméstica. Ou seja, foi aprovada a unificação dos dois planos distintos, o elaborado pela consultoria Alvarez & Marsal e o do Trabalhadores do Grupo Varig (TGV). A proposta aprovada prevê ainda que a administração da Varig será trocada nos próximos 10 dias, incluindo a presidência e o Conselho. Segundo Marcelo Gomes, diretor da consultoria Alvarez & Marsal, que será a responsável pela mudança, todos os novos integrantes serão "profissionais do mercado".O prazo para a mudança já estava firmado pelo plano de recuperação da empresa e segue o cronograma de criação da principal estrutura de reorganização societária da empresa, o Fundo de Investimento em Participações (FIP) - que determina o controle e a conseqüente conversão das ações da Fundação Ruben Berta, acionista majoritária da Varig, com 87% dos papéis, para o FIP controle. Essa estrutura será gerida pelo banco Brascan.Demissões descartadasGomes também disse que a possibilidade de demissões em massa na Varig até o leilão de venda da companhia aérea foi descartada. "Agora, o que se fará é um estudo profundo para se preparar para as duas hipóteses de venda da companhia (a que engloba todos os ativos operacionais e a que oferece apenas a parte doméstica)", explicou ele.Segundo o executivo, não haverá necessidade de demissões se o investidor optar por adquirir a Varig Operacional - com todos os ativos. Já se a opção for para a parte doméstica, Gomes admite que haverá dispensas. Entretanto, não informa de quanto será o corte de funcionários.

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