BNDES: há descolamento de emergentes da economia global

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou hoje que há "certo descolamento" dos países emergentes da economia global. Segundo ele, esses países deverão ser o motor da economia mundial, revertendo uma situação histórica, em que eles eram puxados pelos países centrais. Na visão de Coutinho, no grupo dos emergentes, o Brasil vai ser um destaque, pois o País está saindo mais cedo da crise do que os outros. Segundo ele, essa também é a percepção dos mercados, o que está explicitado na medida de risco País, em que a do Brasil está bem melhor do que a do conjunto dos países emergentes.

FABIO GRANER E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

17 de junho de 2009 | 12h52

Para ele, os investidores percebem o País como um dos mais bem estruturados do ponto de vista macroeconômico e por isso há confiança maior no Brasil. "A percepção de risco sobre o Brasil é muito melhor do que dos demais emergentes. Isso reflete a solidez da política econômica brasileira", disse Coutinho, lembrando que o sistema bancário brasileiro se mostrou muito sólido, o que é um fator adicionalmente favorável ao País.

Por conta das boas condições da economia brasileira e da perspectiva de continuidade do crescimento do consumo das famílias, Coutinho considera que o Brasil pode crescer 4%, na média, de 2009 a 2012, mesmo com um crescimento pequeno este ano. "Haverá uma aceleração a partir do ano que vem", afirmou o presidente do BNDES, que considera que já em 2010 o País deve crescer "4% ou mais".

Investimentos

O presidente do BNDES disse que espera que a taxa de investimentos da economia brasileira, medida pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), deve fechar 2009 em 19%, mesmo nível registrado em 2008. Para os próximos meses, Coutinho espera a retomada dos investimentos também na iniciativa privada. Com a expectativa de que o uso da capacidade instalada da indústria volte a superar 80% nos próximos meses, ele acredita na retomada dos investimentos já no segundo semestre deste ano e um aumento mais expressivo no ano que vem.

Segundo ele, a despeito da crise financeira e da retração da economia brasileira, já há sinais de que o investimento passa por um processo de retomada. Coutinho disse que inicialmente este aumento do investimento tem sido induzido pelas ações do governo, como no setor de petróleo e gás (via Petrobras), energia (via Eletrobras) e em habitação(via projeto Minha Casa, Minha Vida). Outros setores que podem apresentar reação, segundo ele, são os de rodovias (com a licitação de novas concessões à iniciativa privada, nos Estados) e de saneamento básico.

O presidente do BNDES afirmou que esses setores foram pouco afetados - ou até, em alguns casos, não foram afetados - pela crise financeira. Os reflexos da turbulência financeira, segundo ele, foram sentidos principalmente pelo setor de matérias-primas (commodities), que apenas postergou os investimentos e não cancelou os novos projetos.

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