BNDES injetou R$ 13,6 bi na Oi para criar 'supertele'

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) incentiva o crescimento da Oi desde 2000, mas intensificou o movimento nos últimos anos vislumbrando a criação de uma "supertele" nacional, com escala para se internacionalizar.

Alexandre Rodrigues / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

Entre 2000 e 2009, o banco colocou R$ 13,6 bilhões na Oi só em financiamentos, sem contar participações acionárias por meio da BNDESPar, braço de participações do BNDES que detinha 16,8% da empresa até agora.

Boa parte da solução que possibilitará a entrada da Portugal Telecom (PT) na Oi foi desenhada pelo BNDES. Embora a entrada de capital estrangeiro na companhia pareça contraditória, o aumento de capital, que pode chegar a R$ 12 bilhões, mantém o controle nacional. E ainda dá à companhia musculatura financeira para superar o endividamento e os magros ganhos com sinergias decorrentes até agora da aquisição da Brasil Telecom (BrT), em 2008.

Com isso, a empresa poderá ampliar investimentos no Brasil, inclusive no Plano Nacional de Banda Larga (uma das plataformas da candidatura de Dilma Rousseff), e disputar oportunidades no exterior, sobretudo em países em desenvolvimento.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, nunca escondeu que o apoio à Oi vem da política de formar multinacionais brasileiras em setores considerados estratégicos para o País, como o das telecomunicações.

Em 2008, para apoiar a fusão Oi/BrT, a BNDESPar subscreveu R$ 1,2 bilhão em ações preferenciais da Telemar Participações e ainda ficou com títulos mobiliários no valor de R$ 1,3 bilhão dos controladores Andrade Gutierrez (AG) Telecom e La Fonte (LF) Telecom. No fim do processo, a fatia do banco na operadora caiu de 25% para 16,89%.

No fim de 2009, o BNDES concedeu à Oi o maior financiamento já aprovado para uma telefônica: R$ 4,4 bilhões.

Ontem, o BNDES limitou seus comentários sobre o acordo entre Oi e PT a uma nota, em que o considerou "bastante positivo". O banco diz confiar que a empresa continuará a ter "controle brasileiro, capaz de competir com eficiência no País e ocupar espaços no mercado internacional".

O BNDES não informou como ficará sua participação na companhia, mas indicou que pretende manter influência na direção. Para isso, teria de manter ao menos 10% do capital. "Independentemente do tamanho da participação, a aliança não altera os direitos que o banco possui atualmente como acionista da Oi", frisou a nota.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.