BNDES investirá R$1 bi na recuperação de áreas agrícolas

Plano integra um programa do governo para elevar a produção agrícola e amenizar os efeitos inflacionários

Reuters,

24 de junho de 2008 | 13h22

O Banco Nacional de DesenvolvimentoEconômico e Social (BNDES) destinará 1 bilhão de reais em umprograma inédito de recuperação de áreas degradadas para aprodução de alimentos, revelou nesta terça-feira o ministro daAgricultura, Reinhold Stephanes. O plano integra um programa do governo para elevar aprodução agrícola e amenizar os efeitos inflacionários causadospelo aumento de preços dos principais produtos. "O BNDES vai trazer contribuição para o novo Plano Safra,vai colocar 1 bilhão de reais para a recuperação de áreasdegradadas, a juros negativos. É a primeira vez que issoacontece", afirmou o ministro a jornalistas, após sua palestrano seminário "Perspectivas para o Agribusiness 2008 e 2009". O programa de recuperação de áreas degradadas deve terjuros de 5,75 por cento ao ano, contra uma inflação previstapelo ministro em 6 por cento. "Daí os juros negativos." Ele destacou que esse tipo de financiamento normalmente temtaxas de 9 por cento ao ano. Durante a sua palestra, Stephanes lembrou que o Brasilconta com uma área de pastagem, bem utilizada ou não, em tornode 210 milhões de hectares, quatro vezes mais do que a atualárea plantada no país. Ele trabalha com a possibilidade de elevar o plantio nopaís em cerca de 70 milhões de hectares apenas com áreas nãoutilizadas adequadamente para a agropecuária. Segundo ele, a medida também tem o objetivo de evitar odesmatamento para a expansão agropecuária. "Não precisamosderrubar árvores, precisamos melhorar as terras que temos",acrescentou. JUROS CONTROLADOS O ministro afirmou ainda que o governo deverá manter em6,75 por cento ao ano os chamados juros controlados, aprincipal taxa de financiamento agrícola, que foi reduzida noano passado pela primeira vez desde 1998. A anterior era de8,75 por cento ao ano. O volume de recursos que poderá financiar a safra a juroscontrolados, segundo o ministro, será proporcionalmente maiordo que o registrado na temporada 2007/08, quando 36,4 bilhõesde reais, do total de 58 bilhões de reais, foram financiadoscom a taxa mais baixa. Para o Plano Safra 2008/09, o ministro prevê um montante derecursos para financiamento entre 65 e 68 bilhões de reais, oque representaria um aumento para a agricultura comercial depelo menos 7 bilhões em relação a 2007/08. O ministro não detalhou o volume de recursos do próximoplano que será liberado a juros controlados. "Será bem superiorao do ano passado... Ainda não fechamos a conta, mas aconclusão é que será maior." O Plano Safra será lançado oficialmente, com todos osdetalhes, em 2 de julho. Com mais recursos para financiar a safra e preços maisaltos, a área plantada com grãos deverá crescer, apesar doaumento dos custos, especialmente com fertilizantes. "Praticamente vamos recuperar a área que plantamos há trêsanos. Cresceremos de 2 a 3 milhões de hectares", disse ele. A área plantada com grãos em 07/08 foi de cerca de 47milhões de hectares. Segundo ele, com esse aumento de área, em condiçõesclimáticas normais, o Brasil poderá elevar a sua produção totalde grãos para entre 148 e 150 milhões de toneladas, contra 143milhões em 07/08.

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