BNDES já liberou R$ 5 bi para 39 distribuidoras de energia

Quatro empresas concentraram mais da metade dos prejuízos com o racionamento de energia elétrica no ano passado, que totalizaram R$ 4,99 bilhões, segundo dados homologados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e que estão servindo de referência para a liberação de empréstimos por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, essas empresas estão recebendo mais R$ 1,38 bilhão por recomposição de custos devido à chamada "Parcela A", que se refere aos chamados "custos não gerenciáveis" das administradoras, o que elevou para R$ 6,37 bilhões o valor recomposto. Desse total o BNDES já liberou cerca de R$ 5 bilhões, atendendo 39 distribuidoras de energia. O BNDES ainda está aguardando os dados da Aneel referente ao período de janeiro a fevereiro deste ano, para completar a liberação dos empréstimos por conta do Acordo Geral do Setor Elétrico.Segundo dados da Aneel, a Eletropaulo, que atende a região metropolitana de São Paulo, teve direito a créditos no valor de R$ 1,125 bilhão, sendo R$ 922,9 milhões referentes à recomposição devido ao racionamento de energia e outros R$ 202 milhões devido à Parcela A. Isso corresponde a 17,65% do valor total homologado pela Aneel. A segunda empresa com maiores créditos é a Cemig, uma das poucas estatais beneficiadas com grande volume de créditos, porque a empresa reúne algumas características peculiares: é estatal, mas não é federal (o controlador é o governo mineiro), tem a sua própria distribuidora e está em região afetada pelo racionamento. Ao todo a empresa teve créditos de R$ 988,38 milhões, 15,51% do total, sendo R$ 725,6 milhões pelo racionamento e R$ 262,78 milhões pela Parcela A, ou custos não administrados diretamente pelas empresas. As estatais federais, em sua maioria geradoras, não tiveram os dados homologados para o Acordo Geral e as companhias estaduais do Paraná (Copel) e Santa Catarina (Celesc) operam em regiões não afetadas pelo racionamento. A empresa catarinense ainda conseguiu R$ 84,8 milhões referentes à Parcela A, mas a Cesp, controlada pelo governo de São Paulo e que atua basicamente na geração, conseguiu apenas R$ 14,77 milhões, apesar de afeta pelo racionamento. Após a Cemig, a terceira maior beneficiária da operação foi a Light, com R$ 685 milhões, ou o equivalente a 10,75% do total, sendo R$ 559,35 milhões pelo racionamento e R$ 125,69 milhões pela Parcela A. A CPFL, que atua no interior de São Paulo, ficou na quarta colocação, com créditos de R$ 643,27 milhões, sendo R$ 468,6 milhões pelo racionamento e R$ 156,65 milhões de Parcela A. A Coelba, distribuidora que atua na Bahia, teve créditos homologados pela Aneel no valor de R$ 268,49 milhões, a Piratininga conseguiu R$ 267 milhões, a Bandeirante R$ 247 milhões, a Elektro R$ 239 milhões, a Cerj, que atende ao interior do Rio de Janeiro, teve créditos de R$ 219 milhões e a Coelce, que atende ao Ceará, conseguiu R$ 183 milhões.

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