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BNDES libera mais crédito para o setor agropecuário

85% dos recursos distribuídos ligados ao Plano Safra são direcionados para pequenos e médios produtores

O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2018 | 05h00

A agropecuária recebeu este ano do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mais do que o comércio e a indústria. Dos R$ 43,6 bilhões que o banco de fomento liberou entre janeiro e setembro, R$ 9,4 bilhões foram para o campo. O desembolso ao setor só ficou abaixo do segmento de infraestrutura, que abocanhou 40,3% do total. A fatia dos empréstimos para a agropecuária vem crescendo nos últimos cinco anos, saltando de 9% em 2014 para 21,5% este ano. “A participação do agronegócio acompanha o crescimento do setor na economia como um todo”, explica Caio Barbosa Alves de Araujo, chefe do Departamento de Canais de Distribuição e Parcerias, que gerencia a área de crédito rural. Cerca de 85% dos recursos distribuídos, ligados ao Plano Safra, vão para pequenos e médios produtores; para as agroindústrias, no máximo 15%.

Rapidez. A plataforma BNDES Online tem contribuído para esses resultados. Lançada em julho de 2017, reduziu de 10 dias para apenas 3 segundos o prazo médio de aprovação de financiamentos. O que antes era feito por pessoas agora é analisado por softwares e algoritmos. Até setembro, 64% de todas as operações do banco foram contratadas pelo sistema. A meta é chegar ao fim de 2018/19 com 100% das operações do agro digitalizadas. 

Sem reserva. Para 2019, o BNDES minimiza o risco de concorrência de outras instituições financeiras no crédito para máquinas agrícolas, em função da queda da taxa Selic. “Não queremos ter reserva de mercado. Outras fontes podem inclusive contribuir para a maior eficiência de nossas operações”, dizem técnicos do banco. Tampouco se comentam, por ora, possíveis mudanças decorrentes do novo governo. O entendimento é o de que o banco de fomento tem implementado “políticas de Estado”, de longo prazo, e que o agronegócio, especificamente, vem fazendo jus ao crédito ofertado.

Que fase! O setor agroindustrial, que vinha solicitando a criação de uma secretaria específica no Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), recebeu uma saraivada de notícias negativas nos últimos dias. A principal é que o MDIC deve perder força, ao ser incorporado a um superministério da Economia no novo governo. Outra notícia desalentadora foi a saída de Rita Milagres da Secretaria de Desenvolvimento e Competitividade Industrial após 14 anos. Rita, que era a principal porta-voz das agroindústrias junto ao governo, voltou à Embrapa, como secretária de Inteligência e Relações Estratégicas.

Aproxima. O diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério das Minas e Energia, Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, conversou com o embaixador britânico no Brasil, Vijay Rangarajan, e ouviu que a representação diplomática pretende marcar reunião com as gigantes petroleiras BP e Shell para discutir o Renovabio, a nova política brasileira para biocombustíveis. As duas companhias já produzem etanol no País: a BP tem usinas em Goiás e Minas Gerais e a Shell é sócia da Cosan na Raízen, a maior do setor.

Bom sinal. A ida de Waldery Rodrigues Júnior para a equipe de transição de Jair Bolsonaro agradou ao setor de etanol. Rodrigues Jr. é coordenador-geral da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda e teve participação ativa no comitê RenovaBio, responsável pela definição das metas, assim como na elaboração do modelo econômico do programa, e na superação de divergências do setor com a Fazenda.

S.O.S. Esperado na Conferência Global de Sustentabilidade do Café na quinta-feira (8), em Belo Horizonte (MG), o brasileiro José Sette, diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), vai chamar a atenção para os riscos de menor oferta do grão no longo prazo em função dos atuais preços baixos da commodity no mercado internacional. À coluna, ele diz que o incentivo a projetos de produção sustentável pode atenuar o problema, pois garantiria remuneração extra a plantações certificadas e ajudaria a melhorar a gestão financeira da propriedade.

Chama o G20. Está nos planos de Sette, durante a reunião do G20 na Argentina daqui a três semanas, pedir à comunidade internacional que “pense” sobre a questão. “A maioria dos países do G20 é de consumidores de café”, lembra. 

Urbana. De olho nos padrões de consumo nas grandes cidades, a Basf vem promovendo no Brasil uma variedade de melancia menor, de 5 quilos – as convencionais pesam em média 12 quilos. A chamada “Pingo Doce” é produzida em um sistema com rastreabilidade do campo aos varejistas, algo apreciado pelo público urbano.

Espanhóis aprovaram. A ideia da empresa é repetir aqui o feito obtido na Espanha, onde o consumo dobrou na última década com a oferta de frutas menores, explica Golmar Beppler Neto, gerente de Melão e Melancia da Nunhems para América do Sul. Desde que o plantio da nova variedade começou no Brasil, em 2014, a área com a fruta dobrou ano a ano, diz a Basf.

 





 

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