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BNDES libera R$ 2,7 bi para fábrica da Suzano

Valor é uma dos maiores liberados pelo banco nos últimos anos; setor de celulose, no qual o País tem vantagem competitiva, é considerado prioritário

Alexandre Rodrigues / RIO e Fernando Scheller / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2010 | 00h00

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou ontem a liberação de R$ 2,73 bilhões para a Suzano Papel e Celulose iniciar a construção da fábrica de celulose de Imperatriz, no Maranhão, a ser inaugurada no primeiro semestre de 2013. De acordo com o banco, o valor liberado é suficiente para mais da metade dos custos do projeto, orçado em cerca de R$ 5 bilhões.

A unidade maranhaense, que terá capacidade de 1,5 milhão de toneladas por ano, faz parte de um ambicioso projeto de expansão da Suzano em celulose: a empresa também planeja uma fábrica com a mesma capacidade para o Piauí, a ser aberta em 2014 em cidade ainda a ser definida, consumindo um valor de investimento semelhante.

O dinheiro liberado pelo BNDES para a unidade maranhense deverá ser aplicado nas obras de construção civil e de infraestrutura de apoio, que serão inicidadas na primeira metade de 2011 - a empresa já aplicou cerca de R$ 1 bilhão na compra e formação de parcerias para o plantio de florestas para abastecer a unidade. A empresa tem 154 mil hectares de eucalipto para a fábrica, sendo 70% de áreas próprias.

Atualmente, a Suzano produz 1,7 milhão de toneladas de celulose ao ano; com as novas fábricas, a capacidade subirá para 4,7 milhões de toneladas. A companhia hoje é a segunda maior produtora de celulose no País, atrás da Fibria, fruto da união de VCP e Aracruz, que produz 5,3 milhões de toneladas ao ano. Em fase de equacionamento de dívida, a Fibria não tem projetos definidos para o futuro próximo, embora tenha afirmado ao Estado que poderia erguer nova fábrica até 2014.

O mercado brasileiro vive hoje uma corrida pelo aumento da capacidade de produção de celulose. Além das fábricas da Suzano, o grupo JBS iniciou a construção de uma unidade de 1,5 milhão de toneladas na cidade de Três Lagoas (MS), onde a Fibria já está instalada, em junho. O apetite se justifica pelos preços do produto, que chegaram a superar US$ 900 e atingir recordes históricos neste ano, e à vantagem competitiva do Brasil na celulose de fibra curta, obtida do eucalipto em ciclos de produção de até oito anos.

Negociação. O crédito faz parte da ação do banco em favor do setor de celulose, que é considerado estratégico pelo governo federal. A indústria e a instituição financeira já conversavam sobre o financiamento desde 2008, antes da crise financeira internacional, período no qual os preços das commodities sofreram forte baixa e a celulose chegaram a cair abaixo de US$ 500 no mercado externo. O financiamento para a Suzano é um dos maiores aprovados pelo BNDES para empresas nos últimos anos.

Em julho de 2009, o banco assinou com a Petrobrás contrato de financiamento de R$ 25 bilhões, o maior de sua história. Outras companhias que recentemente receberam financiamentos polpudos da instituição estão a Oi (R$ 4,4 bilhões), a Transpetro (R$ 2,6 bilhões), a Mercedes Benz (R$ 1,2 bilhão) e a LLX, braço de logística do grupo de Eike Batista (R$ 1,2 bilhão). Em 2010, o BNDES deverá liberar R$ 146 bilhões em créditos, contra R$ 137 bilhões no ano passado.

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