BNDES libera R$ 3,9 bi para projeto da Vale

Recursos serão usados no projeto que inclui a ampliação da Estrada de Ferro Carajás, cujas obras estão suspensas pela Justiça do Maranhão

VINICIUS NEDER / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2012 | 03h04

O projeto logístico associado às minas de minério de ferro da Vale em Carajás, no Pará, teve aprovado ontem um financiamento de R$ 3,882 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ampliando ainda mais os recursos emprestados à mineradora.

Desde 2008, o banco já tinha concedido R$ 8,791 bilhões em empréstimos à Vale, sem contar o montante de ontem, segundo levantamento do Estado.

Os investimentos do projeto incluem a ampliação da Estrada de Ferro Carajás (EFC), que já começou, mas cujas obras estão suspensas desde 30 de julho por decisão liminar da Justiça Federal do Maranhão. A alegação é de que foram identificados problemas no licenciamento ambiental.

Segundo o BNDES, a decisão não impediu a aprovação do financiamento porque o projeto Capacitação Logística Norte (CLN) engloba outras obras além da expansão da ferrovia.

Além dos R$ 12,673 bilhões que o BNDES já concedeu à Vale - incluindo o montante aprovado ontem -, desde 2008 o banco mantém à disposição da empresa R$ 3,49 bilhões como crédito pré-aprovado. O BNDES detém ainda cerca de R$ 27,6 bilhões de participação acionária na mineradora.

O projeto Capacitação Logística Norte pretende ampliar em 30,4% - para 150 milhões de toneladas ao ano - a capacidade de transporte e embarque de minério de ferro do sistema logístico da Vale na região.

Em comunicado enviado ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Vale informou que o projeto deve receber investimentos totais de US$ 4,114 bilhões.

O empréstimo financiará a "duplicação de 115 quilômetros da EFC, aquisição de locomotivas e vagões e construção do quarto píer do terminal marítimo de Ponta da Madeira".

Ainda segundo o comunicado da companhia, o início das operações está previsto para o primeiro semestre de 2014. No balanço do segundo trimestre, a Vale informou que já foram executados US$ 2,8 bilhões do investimento total, com 77% de avanço físico.

Obras suspensas. As obras da expansão da EFC, que liga as minas de Carajás ao Porto de Ponta da Madeira, no Maranhão, foram suspensas porque o juiz Ricardo Macieira, da 8.ª Vara Federal do Maranhão, entendeu que o licenciamento concedido pelo Ibama à Vale estava irregular. O licenciamento teria sido dado sem o Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima).

A Vale recorreu da decisão e, segundo sua assessoria de imprensa, segue no aguardo de uma decisão. No último dia 7, a empresa afirmou em nota que o projeto de expansão da ferrovia "está submetido ao regular processo de licenciamento ambiental perante o Ibama, cumprindo rigorosamente a legislação ambiental aplicável".

A expansão da EFC é considerada fundamental para o megaprojeto Serra Sul, no qual a Vale investirá US$ 19,5 bilhões, também em Carajás. O projeto logístico aprovado ontem pelo BNDES, porém, não engloba toda a expansão necessária para dar conta do escoamento de Serra Sul, que aumentará a capacidade de produção da empresa em 90 milhões de toneladas de minério de ferro.

A previsão é que Serra Sul comece a produzir no segundo semestre de 2016.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.