BNDES libera R$ 488 milhões para o aeroporto de Brasília

Banco estatal concedeu empréstimo-ponte; antes, Guarulhos e Viracopos já haviam obtido R$ 1,2 bilhão cada

VINICIUS NEDER / RIO , O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h05

Um dia após o governo anunciar a concessão dos aeroportos do Galeão (Rio) e de Confins (Belo Horizonte), o primeiro passo da estrutura de financiamento público aos aeroportos privatizados se completou, com a garantia de R$ 3,2 bilhões aos terminais concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ontem, o banco de fomento anunciou empréstimo-ponte de R$ 488 milhões para o Aeroporto Internacional de Brasília.

Com a aprovação para Brasília, os três terminais concedidos à iniciativa privada em fevereiro já receberam empréstimos-ponte - tipo de financiamento emergencial e de curto prazo, concedido enquanto o BNDES analisa o projeto de longo prazo. Os aeroportos de Guarulhos e Viracopos, em Campinas, tiveram aprovados R$ 1,2 bilhão cada, em outubro e no início deste mês, respectivamente.

Além disso, no mês passado o banco de fomento aprovou empréstimo de R$ 329,3 milhões para a construção do Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, primeiro terminal privado a ter a operação de longo prazo fechada.

Em novembro, o chefe do Departamento de Logística (Delog) do BNDES, Cleverson Aroeira, disse ao Estado que os projetos dos três aeroportos concedidos a operadores privados em fevereiro deverão ter a análise concluída ao longo de 2013. Segundo o executivo, operações de project finance, modalidade na qual o empreendimento em si garante o empréstimo - e não apenas as empresas responsáveis - requerem análise cuidadosa.

O Aeroporto Internacional de Brasília é administrado por consórcio formado pela Inframérica Participações S.A. - sociedade da construtora brasileira Infravix com a operadora de aeroportos argentina Corporación America S.A. - e pela Infraero. A Inframérica também constrói o Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante.

Pelo plano de investimentos apresentado em outubro, até a Copa o Mundo os terminais 1 e 2 do Aeroporto de Brasília serão reformados e um novo será erguido, com 15 novas posições de embarque, em dois píeres. Segundo a Inframérica, as pontes de acesso aos aviões vão aumentar de 13 para 28.

Além disso, o consórcio prevê dobrar o estacionamento, atingindo três mil vagas disponíveis. A entrada do aeroporto vai ganhar uma nova cobertura e uma nova pista será construída. As obras de expansão aumentarão a capacidade do aeroporto de Brasília de cerca de 15 milhões de passageiros para 41 milhões na fase final, quando, segundo o BNDES, o aeroporto teria 47 pontes de embarque.

O consórcio pretende, ainda, transformar o terminal em um polo comercial, de acordo com plano divulgado no último dia 12. Até a Copa do Mundo de 2014, a ideia é abrir 50 lojas.

Privatização. Na quinta-feira, o governo federal anunciou a privatização dos aeroportos do Galeão (RJ) e Confins (MG), além de investimentos públicos de R$ 7,3 bilhões em 270 aeroportos regionais, dos quais 17 serão construídos em 2013.

O plano de leiloar os terminais do Galeão e de Confins à iniciativa privada foi lançado depois de quase seis meses de discussões na área técnica do governo. Mas esses leilões, hoje sob controle da Infraero, só devem ocorrer em setembro de 2013.

O governo vai exigir que os operadores tenham experiência com terminais internacionais para no mínimo, 35 milhões de passageiros por ano. Os controladores dos aeroportos concedidos em fevereiro não poderão participar dos novos leilões

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