BNDES libera R$ 7,7 bi em linha de crédito da Progeren

Os recursos disponibilizados poderão ser tomados ao prazo de 60 meses, com 24 de carência, a taxas de mercado

Cynthia Decloedt, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 18h18

SÃO PAULO - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, anunciou a liberação de R$ 7,7 bilhões da linha de capital de giro Progeren (Programa BNDES de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda) para todos os setores da economia à taxa de mercado, com base de remuneração na Selic. O anúncio foi feito após Coutinho reunir-se por mais duas horas em São Paulo com empresários e diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), entre os quais Paulo Skaf, presidente das duas entidades. Os recursos disponibilizados poderão ser tomados ao prazo de 60 meses, com 24 de carência.

"Pelas suas características de prazo, espero que possa contribuir para o momento difícil da indústria e dos setores da economia brasileira, no que diz respeito ao capital de giro", disse Coutinho. Segundo ele, a linha já está disponível e os normativos estão sendo baixados imediatamente.

Skaf, por sua vez, destacou que, além da linha, foi pedido ao deputado federal Julio Lopes (PP-RJ), que estava presente ao encontro, que tomasse a iniciativa legislativa para conseguir a dispensa da apresentação da CND (certidão negativa de débitos) para a tomada dos recursos no BNDES e em bancos oficiais. "Não adianta que uma empresa que esteja com alguma dificuldade fiscal não possa ter acesso à linha", afirmou.

"Demonstramos ao Coutinho as dificuldades de todos os setores, mas especialmente da indústria de transformação, que passa por momento gravíssimo. A maior urgência, nesse sentido, será estimular o capital de giro", disse Skaf. "A linha é um fôlego para todo o setor industrial; mas tem o detalhe de estarmos procurando uma agenda que minimize os efeitos negativos dessa travessia que o Brasil está passando."

O apoio às startups foi ainda outro dos pontos levados ao presidente do BNDES e está marcada, segundo Skaf, uma reunião na segunda-feira no BNDES para discutir a iniciativa. Coutinho afirmou que, nesse sentido, o banco deve ampliar a oferta de recursos para as empresas sementes e indicou que os recursos viriam de um terceiro fundo. "O BNDES já tem um grande programa para startups, temos dois fundos e já há uma terceira geração de capital de fundo semente. Portanto, é muito oportuna essa discussão", disse.

Coutinho ressaltou que o BNDES tem interesse em interagir com diversos grupos e que em São Paulo não será diferente. "O potencial é enorme e, uma vez que foi manifestado o interesse, teremos essa reunião de trabalho bilateral entre Fiesp, Ciesp e a área de capital empreendedor do BNDES", acrescentou.

Coutinho comentou ainda que o BNDES segue focado nas negociações para multiplicar o número de empresas emissoras de debêntures para ter acesso aos recursos remunerados pela TJLP do banco. Ele manteve a projeção de R$ 5 bilhões em debêntures corporativas ou para infraestrutura até o final do ano, mas reiterou que depende das condições do mercado. "Temos empresas no pipeline, embora o momento, com a taxa Selic elevada, não seja o ideal;  considerando os incentivos criados, esperamos alcançar esse número, junto com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) e o mercado", afirmou. 

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