Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

BNDES liberou só 1,2% de linha para caminhoneiros

Em dois anos, foram R$ 6 milhões de um total de R$ 500 milhões oferecidos; motoristas se queixam de obstáculos à concessão do empréstimo

Irany Teresa, Cynthia Decloedt, Circe Bonatelli e Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2021 | 05h00

A linha de financiamento de R$ 500 milhões para manutenção de veículos e compra de pneus BNDES Crédito Caminhoneiro liberou, em dois anos só R$ 6 milhões, ou seja, 1,2% do total. Lançada em abril de 2019 pelo governo federal para enfrentar uma ameaça de greve de caminhoneiros, a linha de crédito aproxima-se do fim de sua vigência – prevista para 8 de junho – como um fiasco. Sem disponibilizar os dados e já com encaminhamento de pedido pela Lei de Acesso à Informação –, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disse que, “entre junho de 2019, mês de início da operacionalização, e março de 2021, as aprovações alcançaram o montante de R$ 7 milhões (os desembolsos até o momento foram de R$ 6 milhões) para 188 operações”.

Conseguiram?

O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão, um dos líderes da greve que parou o País em maio de 2018, se surpreende até mesmo com a informação de que houve desembolso, embora baixo. “Não conheço ninguém que tenha conseguido. Se o BNDES diz que teve liberação, tem de mostrar quem conseguiu”, afirma.

Pela estrada

 Os caminhoneiros esbarraram em obstáculos para obter o empréstimo. Segundo Chorão, gerentes de bancos diziam que a linha não estava disponível e alegavam riscos para não conceder os empréstimos. A Abrava vai encaminhar ofício ao Ministério da Economia propondo a extensão do prazo e mudanças na linha. 

 

Não chegou

Em 2019, o então ministro da Casa Civil Onix Lorenzoni disse que, de início, Banco do Brasil e Caixa ofertariam a linha especial de financiamento, que depois ficaria disponível também nos “demais bancos e cooperativas de crédito do Brasil”. O fato é que nem os bancos públicos nem os privados demonstraram muito interesse em operar a linha de crédito, mesmo com a participação do BNDES de até 100% do financiamento.

Entrada

Investidores de varejo e pessoas físicas brasileiras terão acesso às ações da XP, com o acordo firmado entre a plataforma, Itaúsa e Iupar (Itaú Unibanco Participações). Isso porque os 40,5% da participação detida pelo Itaú na XP serão distribuídos a pessoas físicas e fundos do banco, via ações e recibos de ações (BDRs) da XP, em consequência da transação anunciada nesta sexta-feira, dia 28.

Pulverizada

Atualmente, a XP tem 27% de suas ações nas mãos de investidores que operam na Bolsa norte-americana Nasdaq. Com essa distribuição, a expectativa é que a fatia no mercado suba para ao redor de 47%.

Ainda não

O processo será votado em assembleia de acionistas e depende da aprovação das autoridades reguladoras norte-americanas e brasileiras. O desfecho deve acontecer no segundo semestre. Procurados, o Itaúsa e XP não comentaram.

Casamento

Nove meses após anunciarem a criação de uma joint venture, as incorporadoras Riva (do grupo mineiro Direcional) e a Lucio (da família paulistana de mesmo nome) vão lançar nos próximos dias o primeiro de uma série de empreendimentos conjuntos. O projeto inaugural fica na Vila Olímpia, na capital paulista, e abrange 545 unidades, entre estúdios, apartamentos e lojas, com valor geral de vendas (VGV) estimado em R$ 159 milhões.

Aperto

A proporção de brasileiros endividados alcançou um recorde histórico no mês de maio, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), que é realizada desde 2010 pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Progressão

Ao fim de seis meses seguidos de crescimento no endividamento da população, 68% das famílias declararam ter dívidas em maio, alta de 0,5 ponto porcentual em relação a abril. Na comparação com maio do ano passado, o avanço foi de 1,5 ponto porcentual na proporção de endividados.

Geral

A inadimplência também aumentou, alcançando 24,3% das famílias brasileiras em maio. O total de famílias com dívidas ou contas em atraso cresceu pela primeira vez desde agosto, segundo a pesquisa. 

 

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