Paulo Vitor/Estadão
Paulo Vitor/Estadão

BNDES lucra R$ 4,7 bi no 1º semestre, alta de 253,6%

Resultado veio de esforços das áreas financeira e de participação de empresas; no segundo trimestre, o lucro líquido foi de R$ 2,697 bilhões

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2018 | 17h54

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 4,760 bilhões no primeiro semestre, alta de 253,9% em relação a igual período de 2017. No segundo trimestre, o lucro líquido foi de R$ 2,697 bilhões. Para o presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, o resultado veio de uma "composição bastante salutar" entre a intermediação financeira e a área de participações em empresas.

A venda de parte da carteira de ações e uma redução no valor de impairments (baixa contábil referente ao valor recuperável) relativos a essas participações acionárias impactaram positivamente o lucro.

Na última semana, o banco de fomento afirmou que a receita com a venda de participações em 2018 será maior que no ano anterior e deve ultrapassar dois dígitos. Até agora, o banco já arrecadou mais de R$ 6 bilhões com essas operações. A concretização da venda da Fibria, que acaba de ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), renderá mais R$ 8,5 bilhões.  Na última semana, o banco também anunciou que vai desembolsar em 2018 metade do que costumava emprestar por ano nas últimas duas décadas.

BNDES tem lucro com vendas de Petrobrás e Eletropaulo

O BNDES  está "perseguindo" um programa de desinvestimentos em sua carteira de participações acionárias em empresas, afirmou o presidente da instituição de fomento, Dyogo Oliveira. "Seguiremos perseguindo a alienação de ativos maduros, que já 'performaram' e não há mais a necessidade de manter", afirmou, ao comentar os resultados do banco no primeiro semestre.

O BNDES informou no fim da tarde que registrou lucro líquido de R$ 4,760 bilhões no primeiro semestre, alta de 253,9% em relação a igual período de 2017. O desempenho dos investimentos nas participações acionárias foi determinante para a alta do lucro, segundo a instituição de fomento.

Duas operações, as vendas de ações da Petrobrás e da Eletropaulo, geraram ganho de R$ 1 bilhão, cada, apenas no segundo trimestre. Com isso, a participação total do banco na Petrobrás passou de 16,54% para 15,24%. O BNDES ainda poderá incluir em seu balanço deste ano os ganhos com a venda de sua participação na Fibria, após a fusão com a Suzano.

"À medida que (o programa de desinvestimentos) vai avançando, vai gerando um lucro", afirmou Oliveira.

A carteira total de ações do BNDES terminou o semestre avaliada em R$ 69 bilhões, abaixo dos R$ 75 bilhões do fechamento do primeiro trimestre. Segundo Oliveira, além da venda de ativos, houve a desvalorização de alguns papéis. O movimento contribuiu para a queda do ativo total, que ficou em R$ 834,5 bilhões no fechamento do segundo trimestre, ante R$ 867,5 bilhões no fim de 2017.

Segundo Oliveira, o movimento de queda no ativo total foi impactado também pela devolução antecipada de R$ 60 bilhões da dívida do BNDES com o Tesouro Nacional. O presidente do banco lembrou que haverá mais redução até o fim do ano, já que o BNDES devolverá mais R$ 70 bilhões este mês.

BNDES repassará somente 25% do lucro à União

Segundo Dyogo Oliveira, a partir de 2019, o BNDES distribuirá para a União apenas o mínimo de 25% do lucro líquido, conforme previsto na Lei das S.A. Com isso, o BNDES reterá o lucro para capitalização, disse.

Pela atual política de dividendos, estabelecida pela ex-presidente do BNDES Maria Silvia Bastos Marques, além do mínimo de 25% do lucro líquido, o banco de fomento poderia repassar mais 35%, chegando ao máximo de 60%. Desde a implementação dessa política, em 2016, o BNDES repassou à União sempre o teto de 60% do lucro líquido. Nos governos do PT, o banco de fomento chegava a repassar quase a totalidade do lucro, contribuindo para fechar as contas públicas.

"Tivemos uma discussão recente com a Fazenda", afirmou Oliveira, ao anunciar a medida, em entrevista coletiva sobre os resultados do primeiro semestre do banco. Segundo o presidente do BNDES, o lucro de 2017 e de 2018 ainda terá 60% destinados à União como dividendos, mas, a partir de 2019, a retenção do lucro permitirá que o banco "se capitalize".

Com isso, nas contas de Oliveira, o BNDES terá fôlego para desembolsar o equivalente a 2% do PIB por ano. No fim do mês passado, após a confirmação da renegociação da dívida do banco com a União, a diretoria do BNDES tratava o nível de 1,2% do PIB como capacidade anual de desembolsos. Segundo Oliveira, o banco terá condições de retomar esse patamar de 2% do PIB em "quatro ou cinco anos".

Ciclo de provisionamentos de perda de crédito chegou ao fim

A reversão de valores provisionados para perda de crédito e a redução no nível dos provisionamentos, que deu impulso à alta de 254% no lucro líquido do BNDES, foi possível porque um ciclo chegou ao fim, explicou o presidente da instituição.

"Essa mudança em provisão tem a ver com o fim de um ciclo de provisionamento de uma série de projetos que tiveram problemas de diversas ordens", afirmou Oliveira, ao comentar os resultados do banco no primeiro semestre. Na primeira metade do ano, o BNDES registrou lucro líquido de R$ 4,760 bilhões, alta de 253,9% em relação a igual período de 2017.

No primeiro semestre de 2017, as provisões para risco de crédito geraram perda de R$ 4,769 bilhões ao BNDES. Nos seis primeiros meses deste ano, as perdas com esse item foram de apenas R$ 81 milhões.

Segundo Oliveira, além de um nível de provisionamento menor, houve reversão de valores provisionados, "em virtude de renegociações" de dívidas. A partir de agora, a tendência é o nível de provisionamento voltar a "seu padrão histórico", disse o presidente do BNDES.

Oliveira ressaltou o baixo nível de inadimplência. Os atrasos de mais de 90 dias caíram de 2,08% da carteira de crédito, no encerramento de 2017, para 1,45%, no fechamento do primeiro semestre deste ano. Segundo Oliveira, o Estado do Rio, que deixou de pagar sua dívida após firmar o plano de recuperação fiscal com a União, responde por grande parte da inadimplência. Sem o governo fluminense, a taxa de inadimplência ficaria em 0,18%, disse Oliveira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.