BNDES não compreende dimensão da agricultura, diz Stephanes

Para ministro da Agricultura, banco tem 'burocracia para um quadro que precisa de decisões mais rápidas'

Gustavo Porto, da Agência Estado,

25 de maio de 2009 | 17h59

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, criticou, em conversa com a Agência Estado, a demora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em liberar recursos ao setor agrícola em um cenário de crise de liquidez. "O BNDES não compreendeu ainda a dimensão e as necessidades da agricultura em um quadro de crise. Essencialmente, há uma burocracia para um quadro que precisa de decisões mais rápidas", disse o ministro ao ser indagado sobre qual seria o principal gargalo para a liberação, por exemplo, de recursos para as usinas financiarem a estocagem de etanol.

 

Na semana passada, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), ao anunciar o resultado da moagem e produção no primeiro mês da safra de cana-de-açúcar 2009/2010, criticou o governo federal pelo atraso na liberação dos recursos para o financiamento de estoques de etanol, anunciada em 5 de março, num total de R$ 2,5 bilhões. Os recursos são liberados via BNDES. Com o excesso de oferta no início da safra, o litro do etanol segue negociado abaixo do custo, cenário que poderia ser diferente caso a oferta fosse controlada por meio do financiamento de estoques.

 

Stephanes revelou ainda que entre terça e quinta-feira deve ter uma reunião com o ministro da Fazenda Guido Mantega para definir o Plano Agrícola e Pecuário de 2009/2010, a ser anunciado entre junho e julho. O ministro disse que estruturalmente o plano não terá mudanças em relação ao da safra passada e reafirmou a previsão de recursos entre R$ 90 e R$ 100 bilhões para a agricultura. "Se não chegar aos R$ 100 bilhões, chega pertinho. Mas serão entre e R$ 90 bilhões e R$ 100 bilhões ", disse. No ano passado, foram destinados R$ 78 bilhões.

 

O ministro participou, nesta segunda-feira, da cerimônia de 20 anos de Embrapa Monitoramento por Satélite, em Campinas (SP), e, em seu discurso, aproveitou para criticar também os ambientalistas. Ao comentar que a agricultura e pecuária podem dobrar a produção no País sem que haja desmatamento, Stephanes cobrou a ampliação para outros setores do debate sobre o meio ambiente, restrito apenas, de acordo com ele, aos ambientalistas. "Na legislação ambiental brasileira nunca ouviram outros participantes, como a pesquisa ou o setor produtivo, por exemplo", concluiu o ministro.

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