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BNDES negocia aporte na SIX com 5 empresas

Fábrica de semicondutores que está sendo construída em Minas Gerais tem caixa para oito meses, mas precisa de parceiros após a crise na EBX

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2013 | 02h11

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) confirmou ontem que busca novos parceiros para assumir parte do investimento do grupo EBX na SIX Semicondutores, fábrica de chips que está em construção em Ribeirão das Neves (MG). De acordo com o diretor de Mercado de Capitais do BNDES, Júlio Ramundo, as negociações envolvem quatro ou cinco empresas que assumiriam o valor referente à participação de Eike Batista.

O grupo X tem 33% no projeto - fatia semelhante à do BNDES -, que conta com investimentos da IBM e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. Os parceiros já fizeram 30% do aporte previsto.

Estimado em US$ 560 milhões, o projeto sofreu atraso após a crise financeira que abate as empresas do empresário Eike Batista. Na SIX, o empresário deve cerca de 10% dos investimentos prometidos, cerca de US$ 20 milhões.

"Até dois meses atrás, estávamos dentro do orçamento e dentro do cronograma. Agora, reduzimos um pouco a velocidade de implantação, mas não paramos a execução do projeto", afirma Ramundo. Segundo ele, o atual caixa da empresa permite manter as operações por até oito meses, sem uma definição sobre o novo parceiro.

Não está definido, de acordo com Ramundo, se Eike Batista deixará o controle da SIX. "O grupo vem trabalhando conosco, procurando investidores que possam assumir parte desse aporte. Ou podemos buscar alternativas no próprio grupo."

O BNDES considera o projeto "da maior relevância" e já investiu mais de R$ 245 milhões referentes à participação de 33%. Também está previsto um novo financiamento de R$ 267 milhões pelo banco, além de mais R$ 202 milhões pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão de fomento do governo federal.

"O projeto coloca o Brasil na ponta da indústria eletrônica, área que visa difundir inovação. É um elemento transformador da indústria brasileira. Não pretendemos abandoná-lo", defende o diretor.

Ramundo afirmou ainda que a exposição do banco ao grupo EBX é "muito pequena". "Fazemos uma reflexão positiva, pois o grupo está buscando se reestruturar, através da venda de ativos, sem qualquer tipo de ato violento contra os credores", conclui.

Portaria. Conforme o Estado publicou ontem, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio exterior publicou uma portaria no início do mês com a finalidade de facilitar a importação de máquinas, equipamentos e bens de consumo usados para projetos beneficiários do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (Padis).

A maior beneficiada com a decisão é a SIX. A alteração permite que a unidade, projetada para fabricar semicondutores de uso específico, traga de fora bens de capital usados.

A medida revogou artigos de uma portaria de 1991, que impôs condições para a importação de equipamentos usados, como a inexistência de similar nacional e a realização de consulta pública à indústria local para atestar que há produção no País. Também elimina o veto à compra no exterior de bens de consumo usados.

A portaria foi criticada pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), mas elogiada pelo professor do Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais, Wagner Rodrigues. "O ambiente da microeletrônica é muito competitivo e há uma rotatividade gigantesca. É praxe comprar máquinas de fábricas fechadas."

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