BNDES pleiteia mais recursos para financiar empresas

Presidente da instituição garantiu que esses recursos não sairiam das reservas internacionais

Renata Veríssimo da Agência Estado, Agencia Estado

28 de novembro de 2007 | 13h58

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, explicou nesta quarta-feira, 28, que o pleito da instituição para aumentar os recursos disponíveis para financiamento (funding) por meio de captação de dólares no mercado visa atender as operações de financiamento de empresas em outros países que compram bens de capital de alto valor ou serviços de companhias brasileiras. Segundo ele, a demanda projetada para esse tipo de operação é de US$ 10 bilhões por ano. Coutinho garantiu, no entanto, que esses recursos não sairiam das reservas internacionais. "Reserva é reserva e tem que ser aplicada em (títulos do Tesouro dos EUA) Treasuries", disse, após participar de um seminário sobre a atuação dos bancos federais no Nordeste. "Esse funding seria em moeda estrangeira para utilização no exterior e não seria convertido em investimentos no Brasil, mas ajudaria a aliviar o funding do BNDES (para investimentos em empresas no Brasil)", explicou. Segundo o presidente do BNDES, a necessidade do banco para atender à demanda interna e externa seria de mais R$ 30 bilhões em 2008, além do que o banco já tem em carteira. Ele informou que está em negociação com o Banco Central e o Ministério da Fazenda a criação de um fundo para atender essas operações que o BNDES faz no exterior. Mas garantiu que não haverá duplicidade de atuação por parte do governo no mercado de câmbio e nem prejuízos para o superávit primário em razão da criação do fundo. "Não afeta o superávit primário porque a contabilidade dessas operações entra na formação de ativo do banco e não como despesa", explicou. Coutinho afirmou que este fundo para atender à necessidade do BNDES pode ser o fundo soberano, que está em discussão no governo, ou outro fundo. Segundo ele, o BC pode operar em acordo com o Tesouro Nacional para comprar esses dólares no mercado quando precisar enxugar a liquidez do mercado de câmbio. "Ao invés de agregar nas reservas, a receita iria para esse funding do BNDES, mas não necessariamente tem que ser o fundo soberano", disse.

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