BNDES pode ajudar empresas com problemas com câmbio

Segundo Luciano Coutinho, já há conversas entre banco e algumas empresas afetadas pela valorização do dólar

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

24 de outubro de 2008 | 15h22

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou nesta sexta-feira, 24, que a instituição pode ajudar as empresas exportadoras do País que tiveram problemas com derivativos cambiais. Segundo ele, já há conversas entre o banco e algumas empresas afetadas pela forte valorização do dólar, mas o executivo não deu detalhes sobre como poderia funcionar essa ajuda. Veja também:Veja o que muda com a Medida Provisória 443Consultor responde a dúvidas sobre crise  Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  "São empresas exportadoras que são robustas e de qualidade, que têm meios de solução com o sistema bancário privado e terão, se necessário, o suporte do BNDES para que nenhum problema de liquidez inviabilize empresas de grande qualidade e potencial", disse Coutinho a jornalistas.  Em palestra em evento da Câmara Britânica, ele acrescentou que esses problemas serão solucionados via mercado e vão exigir um "trabalho intensivo" da empresas, que "terão a necessária cobertura do BNDES, para que esse trabalho seja bem concluído e permita assegurar a capacidade de crescimento desse subconjunto de empresas". Em seguida à palestra, em entrevista à imprensa, Coutinho preferiu não nomear quais empresas são parte desse "subconjunto", mas admitiu que algumas delas já estão conversando com o BNDES. Ele afirmou também que ainda não há decisão sobre como se dará o suporte. "Vamos conversar com as empresas, é tudo caso a caso, depende muito", disse. Ele adiantou que o suporte poderá se dar via desembolsos do banco para financiamentos já aprovados ou via uso de debêntures. Além disso, segundo ele, o setor bancário privado também vai dar suporte a essas empresas. "Os bancos privados vão ajudar e o BNDES vai atuar de forma complementar", afirmou.  Construção Coutinho disse também que o programa de ajuda ao setor de construção civil que está sendo aguardado pelas empresas do setor "ainda está em processo final de desenho no Ministério da Fazenda". Segundo ele, no que diz respeito ao banco, o foco deverá estar voltado para a reestruturação das empresas. "Da nossa parte, podemos ajudar na reestruturação de empresas em consonância com o setor privado", afirmou. Indagado se haverá uma linha de crédito específica do banco para o setor de construção, ele disse que ainda não é possível adiantar se haverá essa definição. "O que digo é que o BNDES poderá avaliar de forma construtiva um plano de reestruturação de empresas", disse. Questionado se essa reestruturação ocorrerá via fusões e aquisições, ele respondeu que "não vou comentar isso, se o setor privado caminhar nessa direção, podemos dar apoio". Coutinho disse que não está preocupado com o Orçamento do banco e a capacidade de dar suporte às empresas e investimentos neste momento de crise. Ele disse que tem conversado com instituições como Banco Mundial, Banco Interamericano e instituições de crédito na Alemanha e Japão e "espero que no ano que vem tenhamos um aporte de captações externas muito bom".  Ele afirmou ainda que alguns investimentos em infra-estrutura e industriais poderão vir a ser beneficiados com a crise, por causa da redução de custos de algumas matérias-primas. "Nesse ponto a recessão é uma benção", afirmou, argumentando que "vai derrubar o preço de alguns insumos fundamentais". Derivativos As empresas Sadia e Aracruz foram as primeiras a anunciar perdas com operações no mercados de câmbio. A perda da Sadia, que chega a R$ 760 milhões, provocou a demissão do diretor de Finanças e Desenvolvimento Corporativo da companhia, Adriano Lima Ferreira. Estas perdas são decorrentes da alta do dólar, motivada pela aversão ao risco que tomou conta dos mercados. Regra geral, em momentos de crise, os investidores buscam segurança em títulos da dívida norte-americana, o que provoca a valorização do dólar.  Tanto a Sadia quanto a Aracruz realizaram operações no mercado de derivativos de câmbio - a empresa se posicionava buscando ter lucro com a eventual manutenção da tendência de valorização do real ante o dólar, o que acabou não acontecendo devido ao agravamento da crise. A alta do dólar, que chegou a beirar os 18% em setembro, fez com estas operações resultassem em prejuízo. Empresas de alimentos brasileiras com forte atuação em exportações normalmente atuam com derivativos de câmbio buscando compensar (hedge/segurança) eventuais perdas em receita nas exportações geradas pela valorização do real frente ao dólar. Mas no caso da Sadia, como reconheceu o diretor, as operações extrapolaram o hedge que seria adequado. Questionado se em momentos anteriores à crise, já que essas operações ocorriam há algum tempo, a empresa registrou lucros devido à queda do dólar, o diretor disse não possuir, no momento, detalhes sobre isso.

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