Nacho Doce/Reuters
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BNDES pode devolver R$ 33 bi ao governo ainda nesta quarta-feira

União pediu o retorno antecipado de R$ 180 bi emprestados, sendo R$ 50 bi neste ano e os demais R$ 130 bi em 2018

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2017 | 11h30

RIO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou na noite de terça-feira, 26, a devolução antecipada de R$ 33 bilhões ao Tesouro Nacional, do montante da dívida de longo prazo contraída após os aportes bilionários entre 2009 e 2014. 

Os recursos poderão voltar aos cofres do Tesouro ainda nesta quarta-feira, 27, conforme informaram duas fontes próximas ao banco de fomento, que pediram anonimato.

No início do mês, os Ministérios do Planejamento e da Fazenda mandaram o pedido de devolução antecipada de R$ 50 bilhões este ano e de outros R$ 130 bilhões em 2018. A devolução deste ano foi dividida em duas parcelas, uma de R$ 33 bilhões, outra de R$ 17 bilhões. A segunda parcela será paga em novembro, como confirmou, na semana passada, o diretor da Área Financeira e Internacional do BNDES, Carlos Thadeu de Freitas.

Conforme apurou a reportagem, em torno de R$ 26 bilhões dos R$ 33 bilhões da primeira parcela serão devolvidos em títulos públicos. Em meio à resistência em devolver os recursos bilionários, diante do receio de ficar sem caixa quando a demanda por crédito para investimentos retornar junto com a recuperação econômica, o BNDES chegou a propor uma troca de ativos com o Tesouro. 

Como antecipou o Estadão/Broadcast no último dia 13, a operação envolveria ações de empresas, como a Petrobrás, e debêntures que estão na carteira do banco, mas a ideia sofreu oposição do Ministério da Fazenda.

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A devolução da primeira parcela de R$ 33 bilhões foi aprovada em reunião extraordinária do conselho de administração do BNDES, encerrada na noite de terça-feira. Segundo umas das fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, um comunicado conjunto do BNDES, e dos Ministérios do Planejamento e da Fazenda sobre a devolução deverá ser divulgado ainda nesta quarta-feira.

O governo federal precisa da devolução para abater a dívida pública e cumprir a "regra de ouro", prevista na Constituição Federal, que proíbe o Tesouro de se financiar (emitir dívida) para cobrir despesas de custeio do governo.

Semana passada, numa palestra na Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, o chefe da Assessoria Especial do Ministério da Fazenda, Marcos Mendes, disse que o governo precisa de R$ 184 bilhões para cumprir a "regra de ouro" em 2018. 

Na ocasião, Mendes explicou que a parte do que for devolvido pelo BNDES ao Tesouro neste ano poderá ser usado no ano que vem.

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