BNDES pode financiar compra de jatos da Embraer pela Argentina

Luciano Coutinho, presidente do BNDES, disse que financiamento será de US$ 600 milhões a US$ 700 milhões

Anne Warth e Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, confirmou ontem que a instituição estuda lançar uma linha de financiamento para facilitar a venda de aviões da Embraer para a companhia aérea Aerolineas Argentinas. "O valor é algo entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões", disse Coutinho a jornalistas em São Paulo. "Todos sabemos que a situação da Aerolíneas é difícil. É preciso uma garantia para que a negociação tenha segurança."No ano passado, o governo argentino informou que poderia adquirir aviões da Embraer para as Aerolíneas Argentinas, companhia que estava nas mãos de empresários espanhóis e passou por processo de estatização.Coutinho também destacou a necessidade de gerar demanda pelos aviões da Embraer. "É preciso gerar demanda para que a empresa tenha melhores condições de manutenção e expansão de seus empregos."A Embraer anunciou no mês passado a demissão de 4.200 funcionários e apresentou como justificava a queda de encomendas por causa da crise.GARANTIASO empréstimo será garantido pelo governo argentino e pelo Convênio de Crédito e Pagamentos Recíprocos (CCR), mecanismo da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), disse Coutinho. "É um mecanismo precioso que a Aladi tem e que permite que os créditos entre nós sejam absolutamente garantidos. É isso que nos permitirá as condições para realizar a operação", disse Coutinho. De acordo com o Ministério da Fazenda, o CCR é um mecanismo de compensação escritural e de garantias que funciona com base no cancelamento contábil de crédito e débito pelos Bancos Centrais. O Banco Central do país de destino de uma exportação brasileira dá mandato a um banco comercial do país de destino para operar e prestar garantias em seu nome. O exportador brasileiro, mediante a apresentação dos documentos exigidos pelo convênio, recebe o pagamento por sua exportação na data de vencimento do documento de crédito. Por fim, o banco comercial brasileiro é reembolsado pelo Banco Central do Brasil, que registra um crédito em seu valor contra o BC do país de destino. Com isso, o exportador elimina o risco comercial representado pelo importador e o risco bancário representado pelo banco comercial estrangeiro envolvido na operação. Coutinho negou que o empréstimo do BNDES seja destinado à Embraer. "Sempre que financiamos o comprador da aeronave da empresa, não estamos financiando a empresa, mas o comprador. Estamos gerando demanda para que a empresa tenha melhores condições de manutenção e expansão de seus empregos."

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