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BNDES pode socorrer Celg com R$ 1,2 bilhão

Inadimplente, empresa não reajusta tarifas desde 2006

Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

24 de fevereiro de 2009 | 00h00

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o governo do Estado de Goiás negociam acordo para socorrer a distribuidora estadual Celg, impedida de reajustar suas tarifas desde 2006, por conta de inadimplência junto a geradoras. As negociações, que receberam na semana passada o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passam por um empréstimo de R$ 1,2 bilhão ao governo estadual, controlador e maior credor da companhia.As negociações duram mais de um ano, mas o governo de Goiás passou a acreditar em um desfecho após visita do governador Alcides Rodrigues (PP) ao presidente Lula na semana passada. Na ocasião, Rodrigues disse ter saído confiante de que o BNDES liberará os recursos. Em troca, ele estuda dar 41% das ações da Celg como garantia do financiamento, operação já aprovada pela Assembleia Legislativa de Goiás.O governo de Goiás tem 99,6% das ações da Celgpar, que controla a distribuidora, uma empresa de geração e outra de telecomunicações. A primeira tem dívida de R$ 900 milhões com a Eletrobrás, referente ao não pagamento pelo fornecimento de energia. Além disso, deve à usina hidrelétrica de Cachoeira Dourada, controlada pela espanhola Endesa.Inadimplente, a Celg não consegue autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para reajustar suas tarifas anualmente, conforme prevê a legislação do setor, o que vem causando perda de rentabilidade. No terceiro trimestre de 2008, a companhia teve prejuízo de R$ 105,2 milhões. Quando for autorizada a realizar os reajustes dos anos de 2006 a 2008, a companhia poderá aumentar a tarifa residencial e comercial em 13,49%.A tarifa industrial poderá ser elevada em 7,13%. Os valores referem-se à somatória dos porcentuais calculados pela diretoria da agência nos últimos três anos, cujo repasse pela companhia não foi autorizado.O pagamento da dívida com as geradoras depende de recebimento do dinheiro devido pelo governo do Estado. Segundo o balanço do terceiro trimestre de 2008, o débito era de R$ 1,183 bilhão em setembro. Parte desse volume foi parcelado para o pagamento em longo prazo.BNDES e Celg não quiseram comentar o assunto. Segundo fontes próximas, as negociações preveem o repasse de cerca de R$ 900 milhões diretamente a empresas do grupo Eletrobrás pelo pagamento das dívidas. As conversas estariam emperradas, porém, nas discussões sobre as garantias pedidas pelo banco.

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