BNDES pode usar ação de elétricas para criar fundo de pensão

O presidente do BNDES, Carlos Lessa, disse hoje que o banco poderá usar ações de distribuidoras de energia elétrica inadimplentes para criar um fundo que seja destinado a poupadores em geral e especificamente a aplicações de fundos de pensão. O comentário foi feito durante debate sobre a privatização do setor elétrico, na Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior da Câmara dos Deputados. "As ações do setor elétrico são as melhores ações para dar um fundo de sustentação aos fundos de pensão de longo prazo", afirmou. Lessa criticou duramente o processo de privatização e disse que ele foi muito mal conduzido do ponto de vista bancário. Só a dívida da AES com a instituição, segundo ele, atinge US$ 1,9 bilhão, sendo US$ 1,2 bilhão da Eletropaulo e US$ 700 milhões da compra de um terço das ações da Cemig. Lessa disse que o leilão de venda das ações preferenciais da Eletropaulo deve ser marcado em breve, mas prevê uma longa ação judicial de anos para que o banco assuma as ações ordinárias da empresa.PrivatizaçõesLessa disse que os dois principais problemas da privatização foram a busca da maximização do preço de venda e a ausência de garantias colaterais por parte dos compradores. "Vendendo as ações por preços muito altos em muitos casos o comprador não foi o ideal para o País." Após o debate, Lessa informou que o orçamento do BNDES para 2004 será de R$ 47 bilhões, dos quais 25% (cerca de R$ 11,75 bilhões) serão destinados à infra-estrutura, incluídos telecomunicações, petróleo e gás. Ele prevê para os anos seguintes desembolsos de R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões para o setor. Lessa ressaltou a importância das parcerias privadas para infra-estrutura, mas disse que o governo deve assumir as obras prioritárias, quando não houver interessados como no caso, por exemplo, das hidrelétricas do Rio Madeira e de Belo Monte, na região Norte do País.

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