BNDES recusa propostas para empréstimo na compra da Varig

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recusou os três pedidos de empréstimo-ponte para a Varig, mas informou hoje que vai financiar o vencedor do leilão judicial da companhia, programado para o início de julho. As oito maiores empresas aéreas regionais brasileiras poderão formar um consórcio para participar da concorrência. Elas avaliam o processo e esperam o edital e a abertura do data room da Varig, pois julgam que as informações ainda são insuficientes.O empréstimo-ponte era a maneira encontrada para capitalizar imediatamente a Varig. Os interessados na compra, que obtiveriam o financiamento, teriam o compromisso de depositá-lo no caixa da Varig para fazer frente às despesas. A questão é que muita empresas não consideraram vantajosa a oferta feita pelo BNDES. Falta de garantias, como carta de fiança bancária ou comprovação de recursos próprios, foram os motivos para o BNDES negar o financiamento. O banco não divulgou a relação dos candidatos, mas o Estado apurou que o Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), que reúne cinco associações de funcionários, e o Banco BRJ, especializado em crédito imobiliário, foram dois dos três interessados pelos até US$ 166,6 milhões oferecidos. O terceiro pedido teria sido de um banco de investimento de São Paulo.ConsórcioCruiser, Meta, Oceanair, Puma, Passaredo, Rico, Trip e Total são as empresas que poderão formar um consórcio para o leilão da Varig. Elas integram a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional (Abetar). Juntas, respondem por 2,5% do mercado doméstico de aviação, atendendo em torno de 70 municípios.Na semana passada, dois executivos da Trip estiveram no BNDES para obter informações sobre o leilão, mas representando a Abetar "de forma consorciada", conta o presidente do conselho da entidade, José Mário Caprioli, também presidente da Trip. "Não estamos com total segurança em relação às informações sobre o leilão da Varig. Depois do edital, deveremos ter uma opinião melhor. Ainda faltam muitos elementos", afirma Caprioli, da família que controla o grupo homônimo de transporte rodoviário de passageiros. Segundo o executivo, o interesse da Abetar não significa que a Oceanair possa, também, apresentar uma proposta individual pela Varig.O foco das empresas da Abetar é na operação doméstica da Varig. Mas o maior empecilho, conta Caprioli, é o preço mínimo de US$ 700 milhões, considerado "sobrevalorizado". Esse valor, conta Caprioli, deve levar em conta a capacidade de as rotas nacionais gerarem fluxo de caixa, mas esse potencial tem diminuído cada vez mais.

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