BNDES reforça que oferta não é ''hostil''

Em nota, banco estatal diz que ''entendimento'' entre Pão de Açúcar e Casino é ''premissa'' [br]para o negócio

Raquel Landim, Daiane Cardoso e Alessandra Saraiva, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2011 | 00h00

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reforçou ontem que a fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour só terá seu aval se houver "entendimento entre as partes envolvidas". O banco estatal, que avalia um aporte de R$ 4,5 bilhões no negócio, vem sofrendo pesadas críticas.

Em nota divulgada ontem à noite, o BNDES informou que tem como "premissa" que "a oferta é de caráter não hostil". O banco pontuou ainda que possui um "compromisso com a estrita observância das leis e dos contratos" e que "não compactua com expedientes que contrariem rigorosos princípios de ética".

A realização do negócio depende da aprovação do Casino, sócio francês do Pão de Açúcar, do empresário Abílio Diniz. O grupo, que esperava assumir o controle do Pão de Açúcar em 2012, argumenta que Diniz "rasgou o contrato" e entrou com pedido de arbitragem na Câmara de Comércio Internacional, em Paris.

O governo brasileiro vê a negociação entre o Pão de Açúcar e o Carrefour com bons olhos e está preocupado com a desnacionalização do setor de varejo no Brasil, mas já dá sinais de que não quer ser envolvido em uma arbitragem internacional.

Ontem à tarde, no Rio, o vice-presidente do BNDES, João Carlos Ferraz, disse que o negócio pode agregar valor a produtos brasileiros no mercado internacional. além de ter impacto positivo sobre os ganhos do banco. "Metade do lucro do BNDES é derivado do BNDESPar. Nós vimos aqui uma bela oportunidade de geração de valor, de empreg", disse o executivo.

Tsunami. Em São Paulo, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, disse que a imprensa criou um "tsunami num copo d"água". Ele reforçou que não haveria uso de dinheiro público, já que os recursos viriam da BNDESPar, braço de investimentos do BNDES, que capta recursos no mercado.

"Uma certa celeuma é bom. Nós vivemos numa democracia. Lutei por isso na minha juventude e me orgulho muito disso. Agora, fazer um tsunami num copo d"água não convém para nós. É bobagem, é atrapalhar o andamento dos negócios que estão sendo feitos. E estão sendo feitos de maneira transparente", disse Pimentel. "Que maravilha é viver em uma democracia. Será que na China é assim? Não é, mas eu não troco o Brasil pela China", completou.

Ele demonstrou irritação ao perceber que uma pergunta dos jornalistas sobre a entrada do BNDES no negócio foi aplaudida pela platéia reunião na Câmara de Comércio de Portugal, na capital paulista. "É uma operação normalíssima. Pode ser feita ou não pelo banco, o qual tem autonomia para resolver", disse Pimentel.

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