Paulo Vitor/Estadão
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Atrasos de Venezuela e Cuba tiveram impacto na inadimplência, não no lucro, diz BNDES

O banco teve lucro de R$ 1,6 bilhão no terceiro trimestre, recuo de 13,7% ante mesmo período do ano passado

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2018 | 04h00
Atualizado 14 de novembro de 2018 | 16h52

RIO - Os atrasos nos pagamentos da dívidas de Venezuela e Cuba impactaram o aumento da taxa de inadimplência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no terceiro trimestre de 2018, mas não tiveram grande impacto nos resultados do período, afirmou nesta quarta-feira, 14, o diretor de Estratégia e Transformação Digital da instituição de fomento, Ricardo Ramos.

Na noite de terça-feira, o Estadão/Broadcast revelou que os atrasos nos pagamentos da dívida com o BNDES por parte de Venezuela, Cuba e Moçambique somam R$ 1,8 bilhão. O balanço financeiro do BNDES no terceiro trimestre, divulgado na tarde desta quarta-feira, mostra que a taxa de inadimplência acima de 90 dias ficou em 2,94%, ante 1,45% no segundo trimestre. Já as provisões para risco de crédito tiveram resultado negativo de R$ 1,6 bilhão no terceiro trimestre, quase a totalidade do R$ 1,681 bilhão negativo de todo o acumulado de janeiro a setembro.

O superintendente da Área de Integridade, Controladoria e Gestão de Riscos do BNDES, Carlos Frederico Rangel, disse que o índice de inadimplência aumentou na passagem do segundo para o terceiro trimestre "por conta da deterioração de 'ratings' (notas de risco de crédito) pontuais nesse exercício (o terceiro trimestre)".

Ao ser questionado se os atrasos nas dívidas do financiamento às exportações de bens e serviços impactaram no aumento da taxa de inadimplência e nas provisões do terceiro trimestre, Ramos respondeu: "Impactaram, mas, de novo, o resultado do banco é pouco impactado". Segundo o executivo, as provisões com os atrasos dos países foram compensadas com reversões de outras provisões, pois "créditos que estavam provisionados voltaram".

Ramos se recusou a citar valores provisionados, mas frisou que os empréstimos para países têm garantia do Tesouro Nacional, por meio do Fundo de Garantia às Exportações (FGE) e reforçou a convicção de que, no futuro, as dívidas serão honradas. "Esses países, de forma muito semelhante aos Estados da federação, não quebram. Países passam por ciclos econômicos", afirmou o diretor do BNDES.

Resultado trimestral

O BNDES registrou lucro líquido de R$ 1,603 bilhão no terceiro trimestre, uma queda de 13,7% ante igual período de 2017. Com forte resultado no primeiro semestre, no acumulado de janeiro a setembro, o lucro líquido ficou em R$ 6,363 bilhões, alta de 98,7% em relação aos nove primeiros meses do ano passado.

"Fizemos o resultado de um ano em nove meses", afirmou o diretor de Estratégia e Transformação Digital do BNDES, Ricardo Ramos, em entrevista coletiva para comentar os resultados do terceiro trimestre, na sede do banco, no Rio.

Em nota, o BNDES explicou que o resultado com participações societárias e a queda na despesa com provisão impulsionaram lucro no acumulado de janeiro a setembro. No terceiro trimestre, o resultado com participações societárias foi de R$ 1,661 bilhão, somando R$ 5,762 bilhões de janeiro a setembro. Já a despesa com provisões para risco de crédito ficou em R$ 1,681 bilhão, ante R$ 5,637 bilhões nos nove primeiros meses de 2017.

Com os resultados, o ativo total do BNDES ficou em R$ 791,5 bilhões e o patrimônio líquido, em R$ 80,6 bilhões. Assim, o Índice de Basileia ficou em 29,1% no encerramento do terceiro trimestre, ante 29% no segundo trimestre.

Ramos demonstrou ainda otimismo em relação ao crescimento da demanda por crédito do BNDES até o fim do ano. "Estamos perseguindo desembolso ligeiramente superior ao de 2017", afirmou o diretor. Em 2017, o banco liberou R$ 70,8 bilhões, informou o executivo.

Venda de ativos

O BNDES manteve no terceiro trimestre a estratégia de vender suas participações acionárias. Entre julho e setembro, o destaque foram as vendas de ações da mineradora Vale, que renderam em torno de R$ 600 milhões líquidos ao banco. A carteira de ações do BNDES encerrou o terceiro trimestre valendo R$ 99,7 bilhões.

Com as vendas de ações da Vale, a participação total do BNDES na companhia ficou em 7,35% - em dezembro do ano passado, era de 7,60%. A mineradora contribuiu ainda com pagamento de dividendos, no valor de R$ 594 milhões no terceiro trimestre.

A Petrobrás pagou R$ 55 milhões em dividendos. No primeiro semestre, a venda das ações da petroleira haviam sido destaque, mas no terceiro trimestre o BNDES não vendeu ações de forma expressiva. A participação total do banco na estatal ficou em 15,24% do capital, incluindo 8,37% detidos por meio da BNDESPar.

No total, o resultado o resultado com participações societárias foi de R$ 1,661 bilhão no terceiro trimestre, somando R$ 5,762 bilhões de janeiro a setembro.

O diretor de Estratégia e Transformação Digital do BNDES, Ricardo Ramos, reafirmou que a estratégia é vender as ações com lucro. "Se uma ação madura está acima de seu preço justo, a gente pode entrar num processo de venda", afirmou Ramos, em entrevista coletiva para comentar os resultados do terceiro trimestre, na sede do BNDES, no Rio.

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