BNDES tem de voltar à sua vocação

Não se pode negar que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teve um papel muito importante para amenizar os efeitos da crise internacional. Mas, agora, precisa mudar sua política, seja pelas dificuldades de se capitalizar, seja para reduzir a dependência das empresas nacionais de uma instituição governamental, seja para voltar à sua vocação de financiar os investimentos na infraestrutura, que exigem recursos importantes e de longo prazo.

, O Estadao de S.Paulo

15 de setembro de 2009 | 00h00

Os empréstimos do BNDES, que em 2008 somaram R$ 92,2 bilhões, neste ano deverão atingir cerca de R$ 131 bilhões ? R$ 25 bilhões destinados à Petrobrás.

No momento em que aumentou seus empréstimos, o BNDES enfrentou uma redução dos seus recursos institucionais. O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que destina 40% dos seus recursos ao BNDES, sofreu uma queda importante da arrecadação e um aumento das saídas para o seguro-desemprego.

O BNDES também sofreu uma violenta queda dos recursos que obtinha da sua carteira de ações. Recorreu a um empréstimo do Tesouro pagando apenas, finalmente, o equivalente à Taxa de Juros de Longo Prazo, de 6% ao ano. O Tesouro teve de aumentar a sua dívida mobiliária, pagando juro maior do que o que recebe do BNDES.

Por isso tudo, não há como justificar um empréstimo do BNDES à Petrobrás, empresa que não teria dificuldades para captar recursos no exterior e cujas necessidades, dentro da política proposta nos projetos do governo para explorar o pré-sal, terão um aumento importante.

Se o papel do banco oficial foi importante num período em que os bancos estrangeiros e a captação nos mercados nacional e internacional não forneciam recursos suficientes, hoje a situação mudou totalmente. É possível, para as grandes empresas, recorrer ao mercado financeiro interno e externo e a Bolsa de Valores permite realizar operações de oferta de ações.

A ajuda do BNDES na crise teve o efeito de favorecer uma concentração que raramente é favorável e que aumenta a presença do Estado em unidades fabris que poderiam evitar essa dependência.

O BNDES precisa voltar à sua vocação, concentrando seus empréstimos em investimentos na infraestrutura ? usinas hidrelétricas, estradas, ferrovias, em particular o trem-bala, portos, aeroportos, etc. ?, que permitirão consolidar os avanços na economia e o crescimento harmonioso dos vários setores de atividade.

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