BNDES tem restrições para ajudar Argentina

O crédito de US$ 1 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Argentina talvez possa ser usado para financiar joint-ventures de empresas brasileiras com argentinas para exportações a terceiros países, segundo o ex-secretário de Indústria, Comércio e Mineração do Ministério da Produção da Argentina, Dante Sica. De acordo com ele, o BNDES só pode financiar empresas brasileiras. "Se for usado para empresas brasileiras comprarem produtos da Argentina já ajuda", afirmou Sica, que atualmente é consultor, presidente do Centro de Estudos Bonaerense (CEB). Ele afirma que, apesar da vontade dos governos de Brasil e Argentina de reativarem o Convênio de Créditos Recíprocos (CCR), o mecanismo continua parado porque esbarra em questões técnicas e na contrariedade dos bancos centrais dos dois países. Pelo CCR, os bancos centrais de cada país assumem perante os seus exportadores os riscos políticos dos países conveniados, arcando com os prejuízos caso um dos países membros quebre. Perspectivas para ArgentinaSica prevê um crescimento de 4% a 5% para a Argentina neste ano e acredita que pode haver um ciclo de crescimento sustentável nesses níveis, apoiado em investimento e consumo, dependendo do sucesso da reestruturação financeira. Ele estima que as importações argentinas aumentem 40% este ano, mas ressalta que a conta é sobre uma base muito baixa, para cerca de US$ 14 bilhões. Para as exportações, a previsão de Sica é que cresçam entre 10% a 15% em 2003. De acordo com ele, a valorização do peso, que no passado já valeu US$ 0,25 e atualmente subiu para o câmbio de cerca de 2,80 pesos por dólar, está estimulando os argentinos a consumir mais. O especialista diz também que o país tem crescido com base na utilização da capacidade ociosa, mas, a partir do ano que vem, precisará investir no aumento da capacidade, o que depende da reconstrução do sistema financeiro e da volta do crédito às empresas.Sica participou do seminário "Comércio Bilateral Argentina-Brasil: Uma Aliança Estratégica", que está sendo realizado no consulado argentino numa promoção do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e da Revista de Direito Internacional e do Mercosul.

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