BNDES terá mais peso na Oi

Bancos brasileiros serão os maiores acionistas individuais da supertele que nascerá da fusão entre Oi e Portugal Telecom

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2014 | 03h00

A quarta maior operadora de telefonia do País, a Oi, está prestes a destravar a fusão com a Portugal Telecom (PT), anunciada em outubro passado. Para os acionistas brasileiros da tele, essa seria uma grande oportunidade de deixar a empresa, que hoje acumula dívidas de R$ 46,2 bilhões. Mas com uma sucessão de atropelos envolvendo os sócios portugueses nos últimos meses, a operação foi colocada em xeque, passando por uma série de mudanças, e o ‘enrosco’ que se tornou a Oi deve acabar ficando nas mãos de dois importantes acionistas: o BNDESPar, braço de participação do BNDES, e o banco BTG Pactual, do banqueiro André Esteves. 

Sobrou para eles o papel de acionistas individuais mais relevantes entre os investidores brasileiros na companhia que vai surgir da fusão, quando ela for concluída até o fim do primeiro trimestre de 2015. 

A mudança nos termos originais da fusão ocorreu depois que veio à tona, em junho, o escândalo envolvendo a cifra de  897 milhões que saiu do caixa da PT direto para uma empresa do Grupo Espírito Santo, que estava passando por sérios problemas financeiros e tem participação na operadora. Isso fez com que os portugueses perdessem espaço na “Nova Oi”. A fatia deles caiu de 37,4% para 25,6%,

Na estrutura dessa supertele, o BNDESPar deve ficar com 5,8% e o BTG, com 4,36%, conforme apurou o Estado com fontes familiarizadas com o assunto. Os dois bancos são os que têm maior fôlego financeiro. 

O BTG é acionista da Oi por meio do fundo Caravelas, que detém 7,7% do capital. Nessa fatia também estão incluídas as participações do fundo Atlântico (dos funcionários da Oi), da La Fonte (do grupo Jereissati) e da Andrade Gutierrez. Os fundos Previ, Petros, Funcef e Fundo Atlântico completam o bloco dos brasileiros, que somados ficarão com até 16% do total. Entre os investidores institucionais, o fundo canadense Ontário é o mais relevante, com 6,1%.

Essas são as fatias estimadas até o momento, mas podem ser alteradas até a incorporação definitiva, quando a empresa for listada no Novo Mercado da BM&FBovespa. 

Oi e BTG não comentam. O BNDESPar disse que não será o maior acionista individual e que sua fatia na “Nova Oi” será de 4,7%, inferior à do Caravelas.

Mais do que uma disputa para saber quem dá as cartas na “nova Oi”, os acionistas buscam um novo rumo para a operadora. “O governo brasileiro quer manter a Oi viva, porque colocou dinheiro na companhia para criar uma campeã nacional. Ele sabe que a empresa tem uma gestão operacional fraca e está financeiramente comprometida. Já o BTG, que coordenou e participou do processo de aumento de capital da companhia com um pool de bancos para viabilizar a fusão, também está perdendo dinheiro”, disse uma fonte do mercado financeiro, lembrando que as ações ordinárias à época da capitalização, no fim de abril, valiam R$ 2,17 e hoje estão em torno de R$ 1,70. 

O BNDESPar entrou no capital social do grupo Telemar Participações durante a privatização das teles no fim dos anos 90, quando a companhia passou a atuar em telefonia fixa. Em 2002, o grupo lançou a Oi para atuar no segmento móvel. Dois anos depois, a Telemar unificou as operações fixa e móvel. Seguindo o movimento de consolidação, adquiriu a Brasil Telecom em 2009. E, três anos depois, fez uma simplificação societária, criando a Oi S/A. 

De 2009 para cá, a Oi contratou R$ 9 bilhões em financiamentos com o BNDES para projetos de investimentos. Parte desse valor ainda não foi liberada. 

Os portugueses, liderados pelo Banco Espírito Santo, maior sócio português, se consideravam líderes dessa fusão. Em bloco, ainda continuam sendo os maiores, mas o poder de voto está limitado a 7,5% do capital. Agora, com o banco à deriva, os outros sócios da PT tentam assumir as rédeas. Rafael Mora, vice-presidente da RS Holding, dono da rede de mídia Ongoing, e Paulo Varella, do Visabeira, holding de participações em empresas, assumiram esse papel. “Fomos obrigados pelas circunstâncias”, diz Mora.

Nessa queda de braço, os brasileiros, representados pela Andrade Gutierrez e La Fonte, dão a palavra final. “Hoje a empresa ainda é de dono, controlada pela Telemar ”, diz Fernando Portella, presidente da La Fonte. O BNDES, no entanto, tem poder de veto em decisões importantes.

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