BNDES vai financiar diesel menos poluente para a Petrobrás

Financiamento de R$ 1,1 bilhão faz parte do PAC e será destinado a uma unidade de produção na Refap, em Canoas

Sergio Torres / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2011 | 00h00

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou ontem a aprovação de financiamento de R$ 1,1 bilhão para a implantação de uma nova unidade de produção na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas (RS). É a primeira iniciativa do banco para propiciar à Petrobrás meios de fabricar combustíveis menos poluentes.

O combustível a ser processado na futura unidade da Refap é o diesel com baixo teor de enxofre. O projeto integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e prevê ainda a implantação de sistemas e instalações auxiliares no parque industrial da refinaria da Petrobrás, a um custo total de R$ 1,6 bilhão.

De acordo com o gerente do Departamento de Gás e Petróleo do BNDES, Luiz Daniel Willcox de Souza, o financiamento inédito demonstra a preocupação, tanto do banco estatal de fomento quanto da Petrobrás, em contribuir com o controle da poluição ambiental pelas emissões de descarga dos veículos automotores.

Por parte da Petrobrás, a nova unidade de produção da refinaria gaúcha permitirá a adequação de seus combustíveis a padrões internacionais de qualidade. Essa adequação obedecerá a características especificadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com base no determinado pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), do governo federal.

O Proconve estipula a obrigatoriedade da venda, a partir de 2013, de óleo diesel com teor máximo de enxofre de 10 ppm (partes por milhão). Se não produzir o combustível com essas características, a Petrobrás estará obrigada a importá-lo, para evitar o desabastecimento do mercado.

Para o processamento de diesel hidrotratado com teor de enxofre reduzido serão construídas na Refap novas unidades de hidrotratamento de correntes de diesel (UHDT) e de geração de hidrogênio (UGH).

Menos impuro. Segundo a Petrobrás, a construção das fábricas garantirá o fornecimento de um combustível com menos impurezas. A implantação das duas unidades será acompanhada por modificações em instalações preexistentes, conhecidas como off-site, fundamentais para o desenvolvimento do processo.

Durante a execução do projeto, deverão ser gerados cerca de 6 mil empregos diretos e 24 mil indiretos, informou o BNDES. Entre os impactos sociais e regionais positivos, o banco destaca a qualificação de trabalhadores no Rio Grande do Sul.

De acordo com o Plano de Negócios da Petrobrás para o período 2011-2015, as refinarias da companhia receberão em cinco anos investimentos de US$ 16 bilhões em modernização, principalmente para se adaptar às exigências de redução de enxofre no diesel.

A companhia já vem adotando a redução, baixando o nível de 2,422 mil partes por milhão verificadas como média no Brasil em 2006 para o atual nível, em torno de 1,5 mil. Entre 2015 e 2020, de acordo com a Petrobrás, a média deverá chegar a 231 ppm, o que representa a redução total de 15% ao ano desde o início do programa.

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