Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

BNDES vai mudar política de investimento

Presidente do banco atribuiu à direção anterior a perda bilionária do 1º semestre e disse que gestão de companhias será seguida mais de perto

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2016 | 23h38

RIO - Dias após divulgar prejuízo de R$ 2,2 bilhões no primeiro semestre, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já analisa mudanças em suas políticas de investimento e financiamento. Nesta segunda-feira, 15, a presidente do banco, Maria Silvia Bastos Marques, atribuiu o resultado negativo à administração passada e revelou que a diretoria se reunirá esta semana para avaliar as novas condições de crédito.

“Já houve mudança para o leilão de transmissão. Em breve, anunciaremos as novas condições de financiamento do banco para todos os setores”, disse. Para a concorrência de 2 de setembro, foram garantidas taxas e prazos menores que as do mercado para 50% dos projetos, em vez de 70%, como nos leilões anteriores.

A reestruturação inclui o BNDESPar, braço de participações acionárias. Parte do prejuízo do semestre foi provocado pela desvalorização das ações de companhias nas quais é sócia. O banco se antecipou a perdas futuras, por prever que não vai alcançar o retorno projetado em alguns investimentos, e registrou baixa contábil de R$ 5,15 bilhões.

“A carteira do BNDESPar precisa ser renovada, porque é uma fonte importante de investimentos, de financiamentos e, portanto, de aporte em novas empresas e em novos projetos”, disse Maria Silva, sem antecipar detalhes das mudanças.

O banco também quer acompanhar mais de perto a condução das companhias nas quais investe. Conselheiros de administração independentes, de perfil técnico, serão seus representantes. Além das atribuições esperadas de um conselheiro, eles defenderão os interesses do BNDES, segundo a diretora de Administração e Recursos Humanos e Mercado de Capitais do banco, Eliane Lustosa, após participar de seminário.

“Estamos atuando, dentro dos investimentos que já temos, tendo uma postura mais ativa com os nossos conselheiros, que devem ser conselheiros independentes. A gente acha que esse é um instrumento importante para melhorar o mercado de capitais como um todo. E isso já está acontecendo”, disse.

O primeiro passo foi dado na operadora de telefonia Oi, que, em recuperação judicial, contribuiu para o prejuízo do banco. Ricardo Reisen foi nomeado conselheiro pelo banco na semana passada e permanecerá no cargo até 2018. “O que a gente sugeriu é que a Oi, como outras empresas, deveria ter conselheiros independentes em geral. No caso específico da Oi, nós indicamos um e a companhia escolheu outro”, lembrou Eliane, referindo-se a Marcos Duarte, que ocupou vaga na própria operadora.

O BNDES também quer se aproximar dos governos estaduais e retomar o papel que exercia na década de 90, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. No mês que vem, técnicos iniciarão uma agenda de visitas a governadores para colocar o banco à disposição, caso acatem a convocação do presidente em exercício Michel Temer de atrair a iniciativa privada para comandar segmentos hoje ocupados por estatais.

“Serão 27 road shows (apresentações), para mostrar aos governadores o que o banco pode apoiar em um programa de parceria público-privada. Pode apoiar desde o estudo técnico, na contratação, fazendo a modelagem, até a contratação final, depois do leilão (de concessão)”, disse Maria Silvia.

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