BNDES vê retomada da produção industrial

Recuperação deve ser sentida nos próximos trimestres

Adriana Chiarini e Jacqueline Farid, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse ontem que "o processo de ajustes de estoques (no Brasil) está terminando" e "a economia brasileira vai surpreender os analistas do FMI este ano", com desempenho melhor que o esperado. Em palestra no 21º Fórum Nacional, no Rio, Coutinho admitiu que "provavelmente teremos queda do PIB no primeiro trimestre, com recessão técnica, mas, pelo lado da demanda, o desempenho será muito melhor do que pelo lado da oferta, porque conseguimos sustentar o nível de renda"."Poucas economias conseguiram fazer um ajuste de estoques tão rápido quanto a brasileira", disse ele. Para Coutinho, nos próximos trimestres haverá recuperação da produção e do uso da capacidade instalada na indústria, que levará ao retorno dos investimentos. Coutinho também afirmou que a recuperação do crédito para as pequenas empresas será fundamental para dar continuidade à recuperação. "Talvez seja o último passo importante da política anticíclica do governo", alertou.Coutinho notou que a crise não afetou os investimentos em infraestrutura e no setor de petróleo e gás. Segundo os levantamentos do BNDES, o ciclo de investimentos quadrienais em petróleo e gás vai saltar, quando se compara os períodos de 2007 a 2010 e de 2009 a 2012 - de, respectivamente, R$ 183,6 bilhões para R$ 269,7 bilhões. No total da indústria, empurrada pela infraestrutura e setor de petróleo e gás, os investimentos entre aqueles dois quadriênios devem saltar de R$ 380,2 bilhões para R$ 450,1 bilhões.Outros setores, porém, ligados à exportação de commodities, foram mais afetados pela crise, por causa da contração do comércio mundial. Na comparação dos dois quadriênios, os investimentos previstos em papel e celulose recuam de R$ 20 bilhões para R$ 9 bilhões. Coutinho chamou a atenção para a importância dos bancos públicos brasileiros, que foram responsáveis por 82% do aumento do crédito de setembro de 2008 a março de 2009. Nesse período, enquanto os bancos públicos (sobretudo BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica) aumentavam as suas operações de crédito em 18,3%, os bancos privados tiveram uma expansão na sua carteira de empréstimos de apenas 2,1%.CAUTELAA nota de cautela no segundo dia do Fórum foi dada por dois tradicionais participantes: o economista e consultor Affonso Celso Pastore, ex-presidente do BC; e Raul Velloso, especialista em contas públicas. Velloso centrou fogo na expansão dos gastos correntes, notando que uma parcela de 76% do total cresce sistematicamente acima do PIB. Pastore observou que uma política anticíclica baseada no aumento de investimentos seria mais eficaz da que o governo vem fazendo, mais centrada no aumento de gastos correntes. COLABOROU FERNANDO DANTAS FRASESLuciano CoutinhoPresidente do BNDES"A economia brasileira vai surpreender os analistas do FMI este ano""Provavelmente teremos queda do PIB no 1.º trimestre, com recessão técnica, mas pela demanda o desempenho será muito melhor do que pela oferta""Poucas economias conseguiram fazer um ajuste de estoques tão rápido quanto a brasileira"

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