'BNDES virou entrave', diz Odebrecht

Para Marcelo Odebrecht, banco estatal dificulta financiamento privado em obras de longo prazo

Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2014 | 02h07

O presidente do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, disse ontem que o BNDES é uma instituição importante para a concessão de crédito a projetos de longo prazo no País, mas que o banco se tornou "um entrave" ao financiamento privado em obras que demandam vários anos de maturação.

"O BNDES se tornou a correção monetária da época da inflação alta no Brasil", comentou Odebrecht. "Enquanto houver o BNDES com juros subsidiados, o empresário não consegue financiamento privado."

Segundo ele, seria importante aos poucos o banco diminuir sua participação no funding de empreendimentos empresariais e ter "cada vez mais" o papel de mitigar riscos, especialmente de project finance.

Odebrecht criticou a política do governo de fomentar a atuação do setor privado em concessões públicas de infraestrutura com financiamentos subsidiados do BNDES. "Não faz sentido concessões públicas terem subsídios, eles precisam ser tirados", afirmou. "O governo tem de entender que a tarifa tem de ser a que o mercado demanda", destacou o empresário, que participou ontem da Conferência de Investimentos da América Latina em 2014, realizada pelo banco Credit Suisse.

Ele disse também que o setor de etanol é "enxaqueca" e a petroquímica é "dor de cabeça". No caso do etanol, ele traçou um cenário negativo, lembrando que o setor deixou de ser competitivo com a retirada de um valor entre R$ 0,50 e R$ 0,60 da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide) para cada litro de gasolina. "O problema do etanol se chama Cide."

Para ele, enquanto não tiver Cide, não tem solução para o setor de etanol. "Os investimentos só vão voltar quando a Cide tiver peso de R$0,50 no litro da gasolina", disse o empresário. Atualmente, a alíquota da Cide sobre os combustíveis está zerada e, em outros momentos, foi usada para segurar o repasse do aumento de preços para o consumidor final.

Quanto à petroquímica, ele disse que há uma "espada" apontada para a cabeça do setor no Brasil em função da revolução do gás de xisto (shale gas) nos EUA. "A petroquímica tem um dos maiores déficits da indústria brasileira. O custo da matéria-prima, nafta ou gás, equivale a 60% da resina termoplástica", apontou. Ele destacou que, no Brasil, se o custo da produção de gás é de um número, por exemplo, "dez", com a revolução do gás de xisto, tal despesa de produção cai para "quatro", o que impõe desafios importantes para o setor no País, especialmente para melhorar a produtividade diante da competição internacional.

Emergentes. No mesmo evento, o diretor executivo da Credit Suisse Hedging-Griffo Asset Management, Luis Stuhlberger, afirmou que a apreensão dos mercados financeiros com os países emergentes é um movimento que "pode durar vários anos". Ele ponderou que essas nações em desenvolvimento registraram avanços econômicos em algumas décadas, mas ainda estão muito longe - "200 anos" - da estrutura institucional de economias avançadas.

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