BNDES volta a financiar vendas de jatos da Embraer no exterior

Banco muda os critérios de financiamento depois da disputa com o Canadá e com a Bombardier na OMC

Alberto Komatsu, RIO, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2007 | 00h00

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) negocia com duas companhias aéreas americanas o primeiro financiamento para a aquisição de jatos da Embraer, conforme regras estabelecidas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em julho. São 17 aviões das famílias Embraer 170 e 190 ao custo unitário de até US$ 25 milhões, cuja compra deve ser formalizada até fevereiro. O pedido pode chegar a US$ 425 milhões e terá de respeitar condições firmadas entre os bancos de fomento governamentais do Canadá, União Européia e Japão, além do Brasil, que apesar de não integrar a OCDE participou ativamente das discussões como país convidado. O superintendente da área de comércio exterior do BNDES, Luiz Antonio Dantas, diz que o objetivo das novas regras estabelecidas no âmbito da OCDE é evitar disputas comerciais na Organização Mundial de Comércio (OMC), o que já aconteceu diversas vezes entre os governos brasileiro e canadense por causa de financiamentos de exportações concedidos à Embraer e à Bombardier. A partir de agora, os empréstimos concedidos por bancos estatais de fomento terão de respeitar algumas regras básicas. Entre elas estão o limite de participação no financiamento de até 85%, prazo máximo de 15 anos, taxas de juros conforme os títulos do tesouro americano (treasury, atualmente em torno de 5%) e spread conforme a classificação de risco da companhia aérea. A última disputa entre a Embraer e a Bombardier se deu em meados de 2005. Naquela época, as duas fabricantes de jatos trocaram acusações de subsídios concedidos pelos governos de cada país para financiar a venda de aeronaves. A Embraer alegava que a sua rival canadense estaria recebendo cerca de US$ 1 bilhão do governo daquele país para o desenvolvimento de uma nova família de jatos com capacidade para 110 passageiros. Nos anos anteriores, as duas fabricantes de jatos se enfrentaram oficialmente na OMC por pelo menos duas vezes. Em meados de 2000, a OMC recomendou aos governos do Brasil e do Canadá a modificação das condições de financiamento dos governos brasileiro e canadense justamente por causa do duelo entre as suas fabricantes de jatos. Mesmo assim, em julho de 2001 a Bombardier venceu a Embraer numa disputa pela venda de 75 jatos para a americana Northwest. Do valor total de US$ 1,7 bilhão, o banco canadense de fomento entraria com 70% com juros anuais de 6,2%. "A idéia daqui para a frente são operações menores, de valores mais reduzidos. A própria estratégia comercial da Embraer não se viabiliza mais com operações muito grandes", afirma Dantas. O chefe do departamento de crédito à exportação do BNDES, Henrique de Azevedo Avila, lembra que há dois anos o banco não financiava exportações da Embraer. Segundo ele, toda a operação de exportações de aviões leva em média dois anos para ser concluída. A atual negociação, diz ele, foi iniciada em 2006. A última operação de financiamento de exportações de jatos da Embraer foi realizada em 2005, concluindo uma venda de jatos para a companhia aérea americana American Eagle, empresa de vôos regionais da American Airlines, que em 1997 fez uma encomenda de US$ 1,1 bilhão para um pedido em torno de 200 unidades da família ERJ-145. De acordo com Avila, após as novas regras estabelecidas pela OCDE, a Embraer pode contar agora com um forte aliado para financiar suas vendas, com condições de igualdade às oferecidas por bancos privados internacionais. Para Dantas, as exportações de aeronaves da Embraer poderão responder por até 10% dos desembolsos totais da área de exportações do BNDES em 2008, cuja previsão é da ordem de US$ 5 bilhões.

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