Ayrton Vignola/Estadão
Ayrton Vignola/Estadão

BNDES quer afastar família Batista do comando da JBS

Acionista da empresa, banco quer avaliar futuro da gestão após delação de Joesley Batista

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2017 | 22h24

BRASÍLIA - O BNDES solicitou nesta quinta-feira, 22,por meio de seu braço de participações, a BNDESPar, a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) dos acionistas da JBS para “avaliar os rumos” da companhia, segundo apurou o Estadão/Broadcast. Isso inclui uma análise sobre o futuro da gestão da empresa diante do impacto da delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da empresa.

A AGE ainda não tem data para ocorrer, mas a pauta também deve incluir a “apuração de possíveis prejuízos trazidos pela conduta dos administradores” à companhia, segundo uma fonte. O BNDESPar detém uma participação significativa na JBS, de 21,32%.

Uma das maiores empresas de alimentos do mundo, a JBS é investigada em cinco operações da Polícia Federal (PF) e teve bens bloqueados para ressarcir eventuais perdas causadas ao BNDES nas operações de financiamento bilionárias contratadas no passado.

A companhia é protagonista da mais explosiva das delações premiadas no âmbito da Operação Lava Jato, e sua defesa tem acusado o governo de promover uma “retaliação” à companhia depois das revelações feitas por seus sócios contra o presidente Michel Temer.

O BNDES, por sua vez, vê o pedido de realização da AGE como uma medida de defesa de seus interesses e dos acionistas minoritários da JBS, por meio da preservação do valor da companhia e da geração de empregos. “A companhia tem de dar a volta por cima e se profissionalizar na governança e na ética societária”, disse uma fonte.

Fontes ouvidas pela agência Reuters, porém, afirmaram que o objetivo do banco, assim como de um grupo de acionistas minoritários, é buscar o afastamento definitivo dos Batista da JBS. A intenção dos minoritários, além disso, seria cobrar uma indenização da controladora J&F, holding da família que controla a JBS, por prejuízos causados à empresa.

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Em maio, os irmãos Joesley e Wesley Batista renunciaram aos postos de presidente e vice-presidente do conselho de administração da JBS, pouco depois da formalização de acordos de delação premiada de executivos da J&F com o0 Ministério Público. Além disso, a J&F fechou um acordo de leniência, com pagamento de multa recorde de R$ 10,3 bilhões.

Wesley deixou a vice-presidência do conselho de administração, mas foi substituído por seu pai, José Batista. Além disso, seguiu como membro do colegiado e como presidente executivo da companhia.

Desde 16 de março, véspera da deflagração da operação Carne Fraca, as ações da JBS já caíram 47%. No período, o Ibovespa recuou 6,9%. 

Procurados, J&F, JBS e o BNDES não se manifestaram sobre o assunto. 

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