Jacky Naegelen/Reuters
Jacky Naegelen/Reuters

BNP Paribas vê queda do PIB do Brasil de 3% em 2015 e de 2% em 2016

Política econômica do País, cenário externo e desdobramentos da Lava Jato são os fatores que complicam a situação do País, na visão do economista-chefe do banco; para a instituição, retomar a confiança é o principal desafio

André Ítalo Rocha, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2015 | 13h57

A economia brasileira deverá registrar recessão de 3,0% em 2015 e de 2,0% em 2016, prevê o economista-chefe do banco francês BNP Paribas na América Latina, Marcelo Carvalho, em teleconferência com jornalistas sobre as projeções macroeconômicas da instituição.

Para Carvalho, as projeções se devem ao que ele chamou de "choque triplo". "Primeiro você tem um cenário externo difícil, com desaceleração da China e expectativa de alta dos juros nos EUA. Segundo, porque estamos pagando os erros de política econômica dos últimos anos. E terceiro, porque há as investigações da operação Lava Jato, que reforçam um ambiente de instabilidade no País", enumerou.

Diante desse cenário, o economista afirmou que, sem a retomada da confiança entre os empresários e consumidores, não haverá uma recuperação sustentável do crescimento econômico. "Esse é o grande desafio do Brasil: retomar a confiança", disse.

Para a inflação, Carvalho espera que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcance a taxa de 9,5% em 2015 e desacelere para 6,5% no ano que vem. Ele pondera, no entanto, que as previsões para a inflação estão ficando piores porque há um pessimismo maior em relação à situação fiscal do governo, que deve continuar delicada em 2016, apesar dos esforços do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Ainda assim, diz o economista do BNP Paribas, é pouco provável que o Banco Central volte a subir os juros. "Nos parece que a barra é muito alta para o BC voltar a subir juros. Teríamos de ter uma deterioração muito mais intensa para os juros serem elevados", disse. (André Ítalo Rocha - andre.italo@estadao.com)

Meta fiscal. O governo deverá registrar um déficit primário de 0,5% em 2015 e de 1,0% em 2016, estima o banco francês. A dívida pública do Brasil em relação ao PIB deve superar o patamar de 70% no ano que vem, nível considerado alarmante pelas agências de classificação de risco. "A maioria dos países semelhantes ao Brasil tem um nível próximo de 40%", compara Carvalho.

Sobre as agências, o economista diz que é mais provável o Brasil perder o grau de investimento da Moody's, já que na Moody's o País só está uma nota acima do grau especulativo. "Na Fitch, ainda faltam duas notas para perder o grau de investimento. É pouco provável que eles retirem duas notas de uma vez só", acredita.

EUA. O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deverá iniciar o ciclo de alta das taxas de juros em dezembro, projeta o BNP Paribas. "Este ciclo deve continuar ao longo do ano que vem e as taxas de juros devem chegar a um pico de 2,5% em 2017", prevê Carvalho.

Na Ásia, o economista espera a continuação do processo de desaceleração econômica da China, o maior parceiro comercial do Brasil. "A economia chinesa, que cresceu 7,3% no ano passado, deve crescer 6,8% neste ano e 6,5% no ano que vem", projeta. "Há sinais claros de desaceleração da China e isso deve continuar", diz. 

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