Boas notícias nos EUA ajudam e Bovespa sobe mais de 3%

Aumento nas vendas de imóveis e elevação da oferta do JPMorgan melhoram o clima nos mercados

Sueli Campo, da Agência Estado,

24 de março de 2008 | 14h35

Os preços comportados das commodities e as boas notícias nos Estados Unidos garantiram uma manhã de forte recuperação nas bolsas, como não se via há muito tempo. A Bolsa de Valores de São Paulo, que na última quarta-feira caiu 5%, operava em alta de 3,31% às 14h27, quase de volta ao patamar dos 61 mil pontos, com os investidores aproveitando os preços baixos das ações para recompor suas carteiras e zerando posições vendidas. Esse movimento de recuperação começou na quinta-feira, véspera do feriado de Páscoa, quando a Bolsa encerrou o pregão com variação positiva de 0,27%.   Veja também: Cronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos   O sobe e desce do dólar  Veja os efeitos da desvalorização do dólar   O volume financeiro, que começou tímido por causa do feriado prolongado de Páscoa, que mantém fechadas as principais bolsas européias, inclusive a London Metals Exchange (LME), ganhou força no final da manhã com compras de investidores estrangeiros. Às 14 horas, o movimento financeiro somava de R$ 2,8 bilhões, projetando para o final da sessão R$ 5,3 bilhões.   Nos EUA, as bolsas iam de vento em popa, com o Dow Jones subindo 1,92% e o Nasdaq em alta de 3,22%, dando a impressão - falsa, é preciso esclarecer - de que crise e aversão ao risco são coisas do passado. O bom humor em Nova York começou logo cedo, influenciado pela notícia de que o JPMorgan concordou em aumentar para US$ 10 por ação a sua oferta pelo Bear Stearns, com intuito de amenizar ameaças dos acionistas insatisfeitos com o negócio, por se sentirem prejudicados.   O JPMorgan adquiriu no último domingo, dia 16, o Bear Stearns pelo equivalente a US$ 2 por ação com ajuda do Federal Reserve. No início desta tarde, as ações do banco de investimento Bear Stearns disparavam 102,18%, enquanto as do JPMorgan avançavam 2,55%.   A melhora de humor foi intensificada no exterior com o aumento inesperado das vendas de imóveis usados nos EUA em fevereiro. Pela primeira vez em sete meses, as vendas de imóveis subiram, com compradores aproveitando o declínio dos preços. O crescimento nas vendas foi de 2,9% para uma taxa anual de 5,03 milhões. Com a redução da aversão ao risco, o dólar mostrava valorização frente ao euro e ao iene enquanto nos Treasuries as vendas prevaleciam.   Vale   Todas as ações de primeira linha da Bovespa registram altas expressivas nesta tarde. As ações da Vale, que na semana passada foram duramente castigadas pela liquidação nas commodities, sobem quase 5%. A alta é influenciada também pelo reforço da recomendação de compra dos ADRs da Vale pelo banco de investimentos Goldman Sachs, que incluiu os papéis em sua "Lista de Compras com Convicção das Américas".   Segundo o banco, os ADRs da Vale caíram mais de 13,5% no mês passado, frente a uma queda de 2,2% do índice S&P 500 da Bolsa de Nova York. De acordo com o banco, a queda deixou os ADRs "razoavelmente baratos", visto que o Goldman estima um potencial de valorização de 88%, para um preço-alvo de US$ 58 (contra US$ 57 anteriormente).   Também nesta segunda-feira, o diretor-executivo de Finanças da Vale, Fábio Barbosa, disse que a demanda por minério de ferro vai continuar forte mesmo com a crise financeira internacional considerada de curto prazo. "O mundo vai continuar fundamentalmente benigno", disse o executivo, acrescentando que em 2012 a produção da Vale de minério de ferro será 50% maior que em 2007 e as produções de cobre e nível serão dobradas no mesmo período.   As siderúrgicas também acompanham o movimento generalizado de alta, com destaque para CSN ON, com ganho de 3,79%, reagindo em parte ao anúncio de recompra de 10,8 milhões de ações, representando 2,37% do total de papéis em circulação no mercado. O anúncio foi feito no final do pregão de quinta-feira. Gerdau PN subia 3,87%.   Petrobras, que também penou bastante na semana passada com a queda dos preços do petróleo, expressando o medo dos investidores com uma possível recessão nos EUA, engrenava alta mais expressiva no começo da tarde. O papel ON subia 3,63% e o PN, +2,82%, em um dia em que o petróleo opera em baixa moderada.

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