Boas notícias para o trabalho

A divulgação de agosto de 2010 da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE indica este ano como o melhor desde 2002 no que se refere a taxa de desemprego e nível de remuneração.

Análise: Clemente Ganz Lúcio, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

A Pesquisa de Emprego e Desemprego - PED, realizada pelo Dieese, Fundação Seade e parceiros regionais (com metodologia diferente) também tem registrado as menores taxas de desemprego para o mesmo mês em mais de uma década.

Mas as boas notícias não param por aí. O nível de ocupação cresce acima de 3%, revelando uma elasticidade produto-emprego próxima de 0,5. Em outras palavras, para cada 1% de crescimento do PIB, cresce em 0,5% o nível de ocupação. É sinal de que o crescimento do nível de ocupação está distribuído pelos principais setores: indústria, serviços, comércio e construção civil.

Também é positiva a criação de empregos formais, com carteira assinada. Em um ano foram criados 685 mil empregos com carteira nas seis regiões pesquisadas. Como o total de ocupações criadas em 12 meses atingiu 691 mil, pode-se dizer que praticamente toda a expansão da ocupação se deu pelo crescimento do emprego formal, melhorando a qualidade das ocupações nas áreas metropolitanas.

E, fechando o quadro de boas notícias, o rendimento médio real dos trabalhadores cresceu 5,5% na comparação anual e 1,4% em relação ao mês anterior.

A renda média no Brasil ainda é baixa, não há dúvida, a massa de salários representa pouco mais de 40% do PIB e a taxa de desemprego, em que pese venha caindo, ainda se encontra em patamar elevado.

Entretanto, mantida a tendência de melhora dos últimos anos é possível crer que o mercado de trabalho tenha papel central na reversão de nossa injusta distribuição de renda.

É DIRETOR TÉCNICO DO DIEESE

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