Boas perspectivas para a safra 2013/2014

O clima favorável, a elevada taxa de renovação dos canaviais em 2012 e tratos culturais realizados dentro das melhores práticas do setor são os elementos que justificam as perspectivas positivas para a safra de cana a ser processada em 2013/2014.

Guilherme Nastari *,

30 de março de 2013 | 02h03

A precipitação abundante no segundo trimestre, e dentro de condições normais desde o final de 2012, associada a temperaturas acima da média, impulsionou o desenvolvimento dos canaviais a serem colhidos no início e no meio da próxima temporada, gerando boas perspectivas de aumento do rendimento agrícola e industrial.

Embora as chuvas tenham sido menores do que a média entre outubro e dezembro, as temperaturas se mantiveram em nível elevado, o que favoreceu os canaviais nos estágios iniciais e médios de desenvolvimento, por demandarem menor volume de umidade para atingir o seu máximo potencial de crescimento. Para canas em estágios mais avançados, a chuva observada nesse período não foi suficiente para atingir o pleno potencial de crescimento. Ainda assim, considerando todas as variáveis, a consultoria Datagro classificou o desenvolvimento dos canaviais na Região Centro-Sul como satisfatório, apontando para uma diminuição de falhas de brotação e recuperação das plantas.

Contribuem ainda para o otimismo quanto à próxima safra os melhores índices de expansão e renovação da lavoura, que permitirão nova redução da idade média dos canaviais e menores índices de infestação de ervas daninhas. A taxa de reforma dos canaviais é de cerca de 20,5%, aumento significativo em relação à média de 15% dos últimos 12 anos. Com um canavial mais bem perfilhado e mais produtivo, as usinas devem melhorar a eficiência da colheita mecanizada, permitindo controle dos custos de CTT (corte, transbordo e transporte).

A Datagro estima que o rendimento agrícola dos canaviais será de 6% a 10% maior que os observados na última temporada em São Paulo, variando de acordo com cada microrregião. Quanto ao rendimento industrial, a previsão atual é de variação positiva entre 1% e 2%, se comparado aos resultados do ciclo anterior. É preciso apontar, porém, que variações de precipitação durante a safra em relação aos níveis esperados trarão consequências quase que imediatas à concentração de açúcares totais recuperáveis (ATR) na planta.

As preocupações permanecem, portanto, no volume de chuvas observado a partir de março, que agora precisa parar para que a safra possa seguir; e nos impactos que a elevação do preço do diesel e da implementação da Lei do Descanso do Caminhoneiro (Lei n.º 12.619/12) poderão causar no custo geral das operações agrícolas.

Estimamos que a moagem de cana-de-açúcar na Região Centro-Sul será de 587 milhões de toneladas no ciclo 2013/2014, ante 532,3 milhões de toneladas da safra 2012/2013. Esse incremento assegura o abastecimento de etanol no mercado interno, tanto hidratado quanto anidro, dando plena garantia de que haverá anidro suficiente para o retorno da mistura de 25% na gasolina, a recuperação desejada de demanda do etanol hidratado e o já esperado aumento nas exportações do biocombustível.

Para o mercado de açúcar, o cenário continuará dominado pelo fato de que a atual safra mundial (2012/2013), que termina em 30 de setembro, marca o terceiro ano consecutivo de superávit, e o preço da commodity continuará sensível a notícias sobre o desenvolvimento da safra em países-chave como Índia, Rússia, Tailândia, União Europeia e Brasil.

É preciso considerar, no entanto, que os volumes estimados estão muito próximos da capacidade máxima de moagem das usinas. Portanto, quaisquer dificuldades nas operações de colheita poderão acarretar em cana bisada para a safra seguinte. Em 2012, as usinas de todo o País tinham capacidade efetiva de moer 664 milhões de toneladas. Durante a safra 2013/2014, estima-se que serão utilizados 97,5% da capacidade total. O volume de chuvas, especialmente durante o início (março/abril) e final da safra (novembro/dezembro), poderá ser decisivo nessa questão.

* Guilherme Nastari é mestre em Agroengenharia e diretor da Datagro.
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