Boas vendas em maio. Junho deve ser melhor ainda

Revenda de carros está otimista

Michelly Teixeira e Paulo Justus, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2009 | 00h00

A redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos novos e os juros mais baixos estimularam a venda na indústria em maio. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram vendidas 246.978 unidades mês passado, volume 5,4% superior ao resultado registrado em abril e 2,1% maior que maio de 2008. De janeiro a maio, foram comercializadas 1,15 milhão de unidades, resultado 0,1% menor que o volume de vendas no mesmo período do ano passado. "Este é um ótimo desempenho, considerando que 2008 foi um ano com recorde de vendas de 2.820.347 veículos", diz o presidente da Anfavea, Jackson Schneider. O dirigente trabalha com a expectativa de queda na venda de veículos em julho. Isso porque espera que a isenção do IPI para carros novos acabe no fim deste mês. Além de uma antecipação de compras em junho, o que aumenta a base de comparação com julho, Schneider diz que haverá queda nas vendas após o fim do benefício fiscal.As concessionárias já usam em sua campanha o fim do imposto reduzido como uma maneira de atrair o cliente. "O consumidor acaba fazendo uma antecipação de compra para aproveitar o desconto do imposto", diz Aba Moshe Lewkowicz, proprietário da concessionária Chevrolet Aba Motors. Na concessionária Marte Veículos, da Volkswagen, a expectativa é que o volume de vendas bata o recorde atingido em março deste ano, quando cresceram 30% em relação a igual período de 2008. "Em março, a incógnita sobre o fim do IPI aumentou o fluxo de clientes e a comercialização. Esperamos um fenômeno parecido agora em junho", afirma o gerente da revenda, Wagner Mazza. Segundo ele, a loja elevou os estoques em 40% para atender ao aumento da demanda neste mês.Schneider, da Anfavea, diz que a entidade ainda não formou comitiva para negociar nova extensão do prazo para o alívio tributário. "A notícia que temos é a de que a isenção termina em junho."Schneider diz ter percebido que o crédito voltou a irrigar o mercado automobilístico de dois meses para cá. "Com a volta dos bancos de pequeno e médio portes, as grandes instituições financeiras passaram a oferecer prazos mais dilatados."Segundo a Anfavea, o estoque de crédito para veículos novos e usados subiu de R$ 145,1 bilhões para R$ 145,4 bilhões entre março e abril, incluindo leasing. Ao mesmo tempo, os juros médios anuais para financiamentos de veículos cederam de 21,4% para 20,8%, conforme dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). Por outro lado, a taxa de inadimplência para prazos superiores a 90 dias subiu de 5% para 5,2% entre março e abril, porcentual que considera veículos novos e usados. A Anfavea pretende apresentar, nos próximos estudos, a taxa de inadimplência específica para cada categoria.

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