Boatos acusam Menem de financiar novos saques

Começam a circular boatos na Argentina de que estão sendo organizados novos saques a supermercados e acusam o ex-presidente Carlos Menem de financiar estes movimentos. Vários líderes piqueteiros denunciaram Menem de oferecer dinheiro para que estes realizem atos de violência e saques ao comércio no dia 20 de dezembro, data de aniversário do primeiro panelaço que derrubou o governo de Fernando de la Rúa e desencadeou uma onda de saques em todo o país, além de muita violência e mortes.Os piqueteiros e as assembléias de bairros e outras organizações populares estão preparando uma grande manifestação no dia 20 de dezembro para "lembrar os políticos argentinos" dos motivos que levaram a população às ruas no ano passado. "Ou saímos às ruas ou morremos em casa. Não somos partidários dos saques, mas não queremos passar mais forme", disse ontem uma dos líderes piqueteiros, Suzana Acosta, integrante do Movimento Independente de Aposentados e Desempregados.A declaração deixou o governo apreensivo com o protesto em dezembro. Três líderes garantiram que Menem estaria aproveitando o momento para oferecer dinheiro aos manifestantes para que provoquem distúrbios com o objetivo de desestabilizar o governo de Eduardo Duhalde, seu inimigo político número um. Dois homens próximos a Menem, Eduardo Menem, seu irmão, e o fiel escudeiro Alberto Kohan, desmentiram as denúncias de Raúl Castells, Nelson Pitrola e Jorge Ceballos, os líderes piqueteiros.Encomendados ou não, o fato é que no começo da noite de ontem, oito pessoas foram presas tentando saquear uma das sucursais do hipermercado Carrefour, na periferia de Buenos Aires. No ano passado, durante a onda de protestos e saques, Menem também foi acusado de estar pagando pessoas para provocar violência e distúrbios. Manifestantes e líderes dos movimentos populares que deram início aos panelaços de dezembro de 2001 descreveram os homens que se infiltravam nos movimentos e iniciavam os enfrentamentos com a polícia e os saques aos comércios.

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