Nacho Doce/Reuters
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Boeing e Embraer tentam afinar acordo

Segundo presidente da empresa americana, as conversas ‘progrediram’; Embraer registrou queda de 82% no lucro

Luciana Dyniewicz e Reuters, O Estado de S.Paulo

08 Março 2018 | 21h54

No dia em que a Embraer divulgou seus resultados, o presidente da fabricante brasileira de aeronaves, Paulo Cesar de Souza e Silva, e o presidente da norte-americana Boeing, Dennis Muilenburg, afirmaram que as negociações para um acordo comercial entre as empresas estão progredindo.

“Continuamos, dos três lados (Embraer, Boeing e governo brasileiro, que detém uma ação especial da Embraer que pode proibir a venda da empresa), tentando achar uma equação, alternativa, estrutura que atenda os interesse das partes”, disse Silva nesta quinta-feira, 8, em teleconferência com jornalistas.

Muilenburg, por sua vez, afirmou à Reuters que as conversas tiveram “progresso”. “Aquisições da escala da Embraer não são apenas muito viáveis para nós, são também coisas que podemos fazer de forma alinhada com a nossa estratégia (de caixa).”

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As duas empresas anunciaram em dezembro que estão em negociação. A Boeing tem interesse em não apenas ficar com a operação de aviões comerciais da brasileira, mas também com as áreas militar e de jatos executivos. O governo brasileiro, entretanto, não quer que o negócio militar acabe nas mãos dos americanos.

Após a divulgação dos resultados anuais, as ações da Embraer recuaram 3,17%. Os investidores receberam mal a notícia que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou abaixo do que previa a própria empresa. O Ebitda ajustado atingiu US$ 712,5 milhões, enquanto o esperado era um montante entre US$ 770 milhões e US$ 890 milhões. O vice-presidente de finanças e relações com Investidores, José Filippo, destacou que o resultado decorreu de um custo adicional de US$ 50 milhões no programa do KC-390, aeronave de transporte militar que a companhia está desenvolvendo.

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A empresa registrou ainda receita líquida de R$ 18, 7 bilhões, queda de 12,7% na comparação com 2016. Só no último trimestre, o lucro líquido atribuído aos acionistas ficou em R$ 117,2 milhões, 81,9% abaixo dos R$ 648,3 milhões registrados no mesmo período de 2016. No ano, o lucro líquido, entretanto, avançou de R$ 591,8 milhões para R$ 847,4 milhões

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