Justin Lane / EFE
Justin Lane / EFE

Boeing teria desligado função de segurança sem avisar companhias aéreas, diz jornal

O desligamento do sistema, responsável por alertar os pilotos sobre possíveis defeitos nos sensores da aeronave, é a suposta causa de dois acidentes

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2019 | 19h12

A Boeing teria desativado uma função de segurança padrão no Boeing 737 Max sem avisar as companhias aéreas, revelou neste domingo, 28, o The Wall Street Journal. O desligamento do sistema, responsável por alertar os pilotos sobre possíveis defeitos nos sensores da aeronave, é a suposta causa de dois acidentes: em outubro de 2018, da Lion Air (189 mortos), e em março deste ano, em voo da Ethiopian Air (157 mortos). A Boeing ainda não explicou porque a função foi desabilitada.

Segundo a agência Dow Jones, a função só seria habilitada no Boeing 737 caso a empresa aérea pagasse por medidas de segurança adicionais. O órgão regulador de aviação dos Estados Unidos e a gerência da Southwest, uma das afetadas, só souberam da mudança um ano depois que os aviões entraram em serviço - e quando o primeiro acidente já havia ocorrido.

O documento afirma que a Southwest e as demais companhias aéreas que operam o Boeing 737 foram alertadas após o primeiro acidente. A companhia aérea teria então solicitado que os alertas que haviam sido desligados fossem reativados - o que não ocorreu. Autoridades do governo e da indústria insistem que entender o motivo para o desligamento dos alertas é central para esclarecer problemas de segurança que cercam o modelo.

Novo software ou aposentadoria

Em março, após o segundo acidente, a Boeing atualizou o software defeituoso e os procedimentos para pilotar o avião. Em reportagem publicada neste domingo, 28, pela Reuters, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) afirmou que a Associação dos Pilotos Aliados (APA), que representa os pilotos da American Airlines, já alertaram que as novidades não contemplam de maneira satisfatória os temores sobre o 737 Max.

À Reuters, a Boeing disse preparar nova atualização do software, além de um pacote de treinamento que aborda o sistema de correção de ângulo da aeronave. Sobre uma possível “aposentadoria” do  Boeing 737, um porta-voz da FAA disse que “é uma opção a ser considerada”. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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