Boeing vive nova crise de confiança com Dreamliner

Enquanto causas do incidente não são apuradas, fabricante vive novo momento de incerteza com sua principal aposta comercial

CHRISTOPHER DREW , JAD MOUAWAD , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2013 | 02h09

A investigação aberta após o incidente com o avião Dreamliner 787, da Ethiopian Airlines, que pegou fogo enquanto estava estacionado no Aeroporto de Londres, na sexta-feira passada, ainda não chegou a qualquer conclusão sobre a causa do problema. No entanto, o episódio provocou uma nova onda de preocupação sobre a segurança do superavião da fabricante americana Boeing.

O setor aéreo voltou ao questionamento do início do ano, depois de alguns incidentes com princípios de incêndio na aeronave relacionados a problemas com o conjunto de bateria do 787. Em janeiro, a Boeing teve de voltar às pranchetas e, após ficar sem voar por quatro meses, voltou aos céus no fim de maio com uma nova tecnologia aplicada às baterias. O episódio em Londres - seguido por outro, no mesmo dia, em um voo entre Manchester e os Estados Unidos - abriu uma nova discussão sobre a aeronave.

Algumas fontes dizem que os novos incidentes não estão relacionados à bateria. Isso ajuda a levantar a seguinte questão: será que existe um problema grave no processo de concepção e de fabricação do avião? É essa indagação que preocupa a gigante Boeing, que tem 862 pedidos do 787 e pode se ver em problemas financeiros caso sua confiabilidade seja comprometida.

Enquanto a causa do incidente não é esclarecida - teria o problema sido um simples defeito na cozinha do avião ou fruto de um problema em uma peça vital para a aeronave? -, as empresas que já usam o Dreamliner declararam seu apoio à Boeing. A Ethiopian e a Virgin Atlantic vieram a público para ratificar sua confiança no equipamento.

Entretanto, passageiros frequentes e grupos de defesa dos direitos dos usuários se mostraram mais céticos. "O que vamos dizer aos consumidores? 'Passageiros, tomem cuidado?'", questionou Kate Hanni, fundadora da FlyersRights.org, grupo de defesa dos passageiros de companhias aéreas.

Hanni, corretora de imóveis de Napa, Califórnia, disse que estava preocupada porque ela e o marido têm uma viagem marcada para Tóquio a bordo do Dreamliner em agosto. Dependendo do resultado da investigação de Heathrow, afirmou, talvez peça para voar com outro tipo de avião. "Estou muito nervosa com isso", disse. Mas acrescentou que "até o momento, o Dreamliner parece seguro".

A United Airlines, única companhia americana que tem o 787, disse domingo que não fez nenhuma alteração nos horários de voos com o 787 por causa do incêndio. "Não vamos especular quanto à causa, mas acompanharemos o andamento das investigações", disse a United em comunicado. A British Airways reiterou que pretende iniciar os serviços com o Dreamliner em 1º de setembro.

Várias companhias aéreas também afirmaram que estão em contato com a Boeing, que enviou uma equipe para Londres para ajudar os investigadores britânicos. A Boeing declarou em comunicado que a segurança dos passageiros e da tripulação "é a principal prioridade". E acrescentou: "Confiamos na segurança do 787 e estamos certos de sua integridade."

Suspense. Entretanto, a não ser que a causa do incêndio de Heathrow seja descoberta logo, a Boeing e as companhias aéreas poderão se ver novamente numa situação delicada. As empresas têm de levar em consideração, ao mesmo tempo, a segurança dos passageiros e os custos de uma nova suspensão dos voos com o 787.

A Boeing e suas fornecedoras investiram mais de US$ 20 bilhões no Dreamliner, que usa materiais ultraleves à base de carbono e motores mais eficientes para reduzir os custos operacionais em cerca de 20%. A companhia já entregou 68 destes aviões a 13 companhias aéreas e espera vender milhares de outros nos próximos 20 anos. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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