Bofa já calcula perdas com reforma

Maior banco dos EUA, o Bank of America deve perder US$ 5 bilhões até 2011

, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

O Bank of America (BofA), maior banco em valor de ativos dos Estados Unidos, anunciou ontem que vai pagar caro pela implementação da reforma da legislação americana sobre o mercado financeiro, aprovada pelo Congresso na quinta-feira. Segundo o executivo-chefe da instituição, Brian Moynihan, o custo pode chegar a US$ 5 bilhões até o fim do ano que vem.

Durante conferência com analistas ontem, Moynihan afirmou que a maior perda com as novas normas para as atividades bancárias de varejo será a limitação das tarifas cobradas dos estabelecimentos comerciais por operadoras de cartões de crédito e de débito (as chamadas "swipe fees"). São elas que vão custar ao banco cerca de US$ 5 bilhões.

Outro efeito será a redução do valor de mercado da unidade de cartões de débito e crédito do banco. A perda estimada pelo executivo deve ficar em algo entre US$ 7 bilhões e US$ 10 bilhões até o terceiro trimestre do próximo ano.

O BofA informou esperar que as novas normas para as "swipe fees", que entram em vigor em 2011, levem a uma queda de US$ 1,8 bilhão a US$ 2,3 bilhões em receita anual.

Cartões de crédito. Outras normas aprovadas previamente para as operações com cartões de crédito deverão custar ao banco mais US$ 1 bilhão em lucros após impostos até o fim deste ano. Novas regras limitando a cobrança de penalidades para usuários de cartões de crédito que ultrapassem seu limite de gastos deverão custar outros US$ 2 bilhões somente no quarto trimestre deste ano.

O Bank of America tem sido mais agressivo do que muitos de seus concorrentes na mudança de políticas referentes a punições para clientes inadimplentes de cartões de crédito, mesmo antes de as novas normas terem entrado em vigor.

Moynihan disse que o banco não vai rever sua política, que lhe tem custado US$ 160 milhões por trimestre, porque as práticas anteriores alienavam clientes em dificuldades financeiras.

Para o presidente executivo do Bank of America, "o correto é nos distanciarmos das penalidades, porque é o melhor para nossos clientes".

Custo. O executivo-financeiro-chefe do banco, Charles Noski, disse que a redução das tarifas cobradas dos estabelecimentos comerciais pelo processamento das transações com cartões de débito não deverá levar a uma redução de preços para o consumidor final. Os maiores beneficiados deverão ser os próprios estabelecimentos.

Em outra conferência, o principal executivo financeiro do Citigroup, John Gerspach, disse que a reforma da legislação financeira não deverá ter impacto significativo nas operações de varejo da instituição.

"Do lado institucional, ainda é cedo para avaliar o impacto das medidas", afirmou Gerspach. Ele lembrou que os órgãos do governo levarão anos para criar e implementar a regulamentação das novas leis.

Sobre as "swipe fees" dos cartões de crédito e de débito, o presidente executivo do Citigroup, Vikram Pandit, disse que "nossa receita com essas tarifas não é material para nós, porque em geral nós não deixamos nossos clientes de cartões de débito excederem seus saldos".

Ele também destacou que um ponto-chave da reforma da legislação que afeta o consumidor é o fato de nosso banco de varejo ser muito mais internacional do que a maioria dos concorrentes. / DOW JONES NEWSWIRES

Prejuízos

US$ 5 bi perda com o limite das tarifas cobradas pelas operadoras de cartão de débito e crédito

US$ 10 bi perdas estimadas do valor de mercado da unidade de cartões

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