Boi Gordo: primeira denúncia contra associação

O pedido de concordata preventiva solicitado pela Fazendas Reunidas Boi Gordo em 15 de outubro do ano passado estimulou o surgimento de muitas associações de investidores. O principal objetivo destes grupos era reduzir o custo do acompanhamento jurídico do processo, dado que isso poderia ser muito oneroso em função do local onde foi feito o pedido - Comodoro, município localizado no norte do Estado de Mato Grosso, a mais de 600 quilômetros da capital, Cuiabá.O objetivo era válido, mas, conforme alertou a reportagem da Agência Estado naquela época, aderir a uma associação era uma decisão muito arriscada para o investidor. Isso porque tais associações tiveram início a partir do pedido de concordata. Sem um histórico da associação, o investidor não teria como ter certeza da idoneidade do grupo.Para quem decidisse aderir à Associação, apesar do risco, a recomendação da Agência Estado era de um acompanhamento constante das atividades da Associação - solicitar o estatuto do grupo, checar as propostas apresentadas, verificar a idoneidade de seus representantes, comparecer às assembléias, analisar os gastos e recursos arrecadados pela associação etc.Primeiras denúnciasO fato é que os primeiros problemas com as associações já começaram a surgir. No dia 6 de fevereiro, a presidente da Associação dos Parceiros e Credores da Fazendas Reunidas Boi Gordo, Cláudia Zelenkovas, registrou um boletim de ocorrência (BO) na 3ª Delegacia de Polícia da cidade de São Paulo. No documento, Cláudia esclarece que ausentou-se por cerca de sessenta dias da presidência da Associação, para, em nome dos investidores, retomar os bens relacionados na ação de arresto impetrada pela própria associação e que estão localizados no Mato Grosso (veja mais informações no link abaixo).No BO, Cláudia Zelenkovas esclarece que, ao reassumir o seu cargo, "observou que durante a sua ausência , vários associados efetuaram pagamento de contribuições associativas mediante cheques, os quais não foram depositados em conta bancária da associação e sim desviados para contas diversas que não da associação". A presidente da associação também esclarece no BO que está com dificuldades para assumir as atividades relativas ao seu cargo, como a prestação de contas aos associados e pagamento de despesas, "inclusive as mínimas para o cumprimento judicial no Mato Grosso". "Todo o controle financeiro da associação ficou em poder dos advogados Augusto Souza Coelho e Maria Conceição da Hora Gonçalves Coelho, que também são os fundadores da associação. Outra pessoa envolvida neste controle é Valdir de Souza Coelho, que é diretor da associação e pai do Augusto Coelho", esclarece a presidente da associação.Advogados defendem-seProcurados pela reportagem da Agência Estado, os advogados acusados pela presidente da associação informaram, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que após o feriado do carnaval pretendem marcar uma assembléia com os associados, a fim de apresentar as contas da associação. A data ainda não está definida, mas a expectativa é de que aconteça ainda em fevereiro. A Assessoria de Imprensa também esclareceu que vai propor aos associados eleger uma nova presidente para a associação.Questionada sobre os motivos que levaram à indicação da secretária do escritório de advocacia, Cláudia Zelenkovas, para o cargo de presidente da associação, a Assessoria de Imprensa afirmou que esta justificativa deveria ser dada pelos advogados da associação. Até o fechamento desta reportagem, os advogados não se pronunciaram sobre a escolha da secretária.Veja mais informações sobre o caso da Boi Gordo e o alerta da Agência Estado para os riscos das associações nos links abaixo. O investidor que já foi prejudicado pela concordata da Boi Gordo pode sair perdendo ainda mais dinheiro se escolher associações não idôneas.

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