Boicote a cartão de débito preocupa consumidor

A ameaça dos supermercados de não aceitar cartões de débito, a partir do próximo mês, deixou consumidores preocupados. Os supermercados em um movimento conjunto se rebelaram no fim de semana contra as taxas cobradas pelas administradoras desses cartões e podem ser acompanhados por outros segmentos do varejo. A maior parte das compras feitas nos supermercados são pagas em dinheiro (32,2%). Os pagamentos com cartão de débito representam 8,2%. O sindicato que representa os postos de gasolina no Estado de São Paulo (Sindipetro) divulgou nota ontem criticando as taxas e propondo uma reunião ampla de diversos segmentos comerciais para forçar as administradoras a negociarem. Mas o consumidor está apreensivo com a situação. "Sem cartão de débito e crédito não sou nada, porque pago quase todas as minhas despesas com eles", reclamava a dona de casa Selma Santilli de Andrade, que fazia a despesa do mês ontem à tarde. Ela se recusa a carregar dinheiro para as compras porque tem medo de assaltos e não gosta de cheques. "As lojas pedem telefone, RG, nome do pai, da mãe, é um absurdo." O advogado Fabio Bernardi Santana entende a queixa dos supermercados, mas acha que os consumidores não podem ser prejudicados. "Os supermercados e as administradoras precisam sentar e conversar. Não é justo que as altas das taxas sejam repassadas para os produtos e por conseqüência ao consumidor." Todas as suas depesas, a partir de R$ 10 são pagas com cartão de débito. As administradoras do cartões de crédito se recusam a comentar o embate que estão travando com os supermercados e a divulgar suas taxas. Mas o comentário no varejo é que elas oscilam entre 1% e 5% e que a média é 1,5%. Ontem circularam rumores de que no ano passado as administradoras dobraram sua taxas. Dados de mercado mostram que a Visa Electron tem 48% de participação, a Redeshop 34% e o Cheque Eletrônico 18%. "Se eles apresentarem qualquer aumento suspendo na hora o cartão", diz o diretor da rede Ri Happy, de brinquedos, Ricardo Sayon, que paga taxas de 1,5% por operação. Na PB Kids, onde o pagamento com cartão representa 11% das vendas, as taxas variam entre 1% e 2%. "A taxa é alta e é preciso negociar muito para se chegar a uma consenso. Mas mantenho a operação porque o custo é inferior ao porcentual que tenho de cheques devolvidos", justifica o diretor financeiro da rede, Milton Pilnik. Os shoppings devem esperar a negociação dos supermercados. Mas devem começar a discutir o assunto, segundo o representante da Alshop, Nabil Sahyoun.

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