Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 14/5/2020
Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 14/5/2020

Em semana de Copom, BC diz que pode não publicar o Boletim Focus

Incerteza está ligada à greve dos servidores da autarquia federal; as expectativas de mercado divulgadas na pesquisa Focus ajudam o Banco Central a tomar decisões sobre juros

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2022 | 14h12

BRASÍLIA – Em meio à greve dos servidores, o Banco Central ainda não informou se publicará uma atualização do Boletim Focus, ainda que parcial, na semana que vem, antes do Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne na terça e na quarta-feira. “Como de praxe, avisaremos a tempo se for ter uma parcial da Focus na segunda-feira”, se limitou a dizer o BC.

A incerteza preocupa o mercado, pois parte das expectativas de mercado divulgadas na Focus é utilizada pelo BC em seus modelos de inflação, que, por sua vez, são relevantes no processo de decisão da taxa Selic. Os juros básicos estão em 12,75% ao ano atualmente e a maioria do mercado espera aumento para 13,25% ao ano nesta semana.

Na atualização parcial divulgada na última segunda-feira, o IPCA de 2022 estava em 8,89% (acima do teto da meta, de 5%) e de 2023, em 4,5% (superior ao alvo central de 3,25%, mas inferior ao teto de 4,75%).

Ontem, a autoridade monetária já havia informado que, devido ao movimento dos funcionários, o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), previsto para o dia 23, só seria publicado no dia 30, prazo final.

Paralisação

A greve dos servidores do BC foi iniciada em 1.º de abril e se intensificou nas últimas semanas, após o governo informar que não haveria reajuste para o funcionalismo público federal este ano. Nesta semana, cresceu a participação dos funcionários de maior hierarquia na paralisação, com adesão de chefes-adjuntos e consultores.

Os servidores pedem agora a inclusão de um bônus de produtividade na minuta que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, prometeu encaminhar ao Ministério da Economia, com pautas não salariais. O Sindicato Nacional de Funcionários do BC (Sinal) ainda informou que cortou pela metade a demanda de reajuste, de 27% para 13,5%.

Há diversos impactos da greve além do atraso nas publicações. Várias agendas normativas estão paradas, como a regulação prudencial das instituições de pagamento, questões relacionadas à Basileia 3 e novas regras de sustentabilidade, além de reuniões com o mercado sobre a regulamentação do novo marco de câmbio.

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