André Dusek/Estadão
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Boletim Focus: Mercado financeiro vê inflação acima do teto em 2022, pelo segundo ano seguido

Projeção está em 5,03%, contra 5,00% do teto da meta deste ano, de acordo com os números do primeiro Boletim Focus do ano

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2022 | 09h44

BRASÍLIA - A estimativa do mercado financeiro para o IPCA, o índice de inflação oficial, de 2022 aponta para o segundo ano consecutivo de rompimento da meta a ser perseguida pelo Banco Central (BC). A projeção está em 5,03%, contra 5,00% do teto da meta deste ano, de acordo com os números do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira, 3, pelo BC.

Para 2021, a mediana cedeu marginalmente de 10,02% para 10,01%, mas é quase o dobro da banda superior do objetivo inflacionário (5,25%). 

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia, a Selic. Na hipótese de a meta de inflação ser descumprida, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, terá de enviar uma "carta aberta" ao ministro da Economia, Paulo Guedes, explicando as razões para o estouro. 

A última vez que isso ocorreu foi em janeiro de 2018 e o motivo foi o descumprimento em outra direção, por a inflação do ano anterior ter ficado abaixo do piso da meta. O ex-presidente do BC Ilan Goldfajn justificou, à época, que o maior impacto para a inflação ter desabado em 2017 foi a queda dos alimentos por causa da safra recorde.

Após semanas de desaceleração na esteira do tom mais duro do Comitê de Política Monetária (Copom) de dezembro, a expectativa da inflação para 2023 voltou a subir e a se afastar do centro da meta do ano que vem (3,25%), passando de 3,38% para 3,41%. Para 2024, a mediana continuou em 3,00%.

Há quatro semanas, essas projeções eram de 3,50% e 3,10%, respectivamente. A meta para 2023 é de inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%). Já para 2024 o objetivo é de 3,00%, com margem de 1,5 ponto (de 1,5% para 4,5%).

No comunicado do Copom deste mês, o BC atualizou suas projeções para a inflação com estimativas de 10,2% em 2021, 4,7% em 2022 e 3,2% em 2023. O colegiado elevou a Selic em 1,5 ponto porcentual, para 9,25% ao ano.

Juros básicos

Os economistas do mercado financeiro mantiveram pela terceira semana consecutiva a projeção de 11,50% para taxa Selic no fim de 2022.

Após subir a Selic em 1,50 ponto porcentual, de 7,75% para 9,25% ao ano, o Copom indicou, no comunicado de dezembro, mais um aumento da mesma magnitude em fevereiro, o que levaria a taxa a 10,75%.

O colegiado ainda garantiu que irá perseverar na estratégia de aperto monetário “até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, preocupado com o aumento das projeções de inflação e o risco de descolamento da inflação em prazos mais longos.

O aumento do juro básico da economia reflete em taxas bancárias mais elevadas, embora haja uma defasagem entre a decisão do BC e o encarecimento do crédito (entre seis meses e nove meses). A elevação da taxa de juros também influencia negativamente o consumo da população e os investimentos produtivos.

No Boletim Focus, o cenário para a taxa básica de juros da economia foi mantido para os anos seguintes. A estimativa do Focus para a taxa Selic no fim de 2023 continuou em 8,00%, ante a mesma taxa há quatro semanas. Para 2024, ficou em 7,00%, mesmo porcentual de um mês atrás.

PIB

Sobre a atividade econômica, analistas voltaram a reduzir a estimativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano de 2022. Os economistas projetaram que o crescimento será de 0,36% neste ano, contra 0,42% da semana anterior.

Para o ano de 2021, os economistas também revisaram a estimativa de crescimento para baixo, de 4,51% para 4,50%. 

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