Antônio Cruz/Agência Brasil
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Mercado financeiro prevê queda do PIB em 2020 próxima de 3% e novo corte nos juros básicos

Para o PIB de 2020, a nova previsão dos economistas consultados é de queda de 2,96%; No relatório anterior, expectativa dos analistas era de queda de 1,96%

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2020 | 08h55

BRASÍLIA - Os analistas do mercado financeiro baixaram, pela décima semana seguida, a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e revisaram para baixo sua estimativa para a inflação, que ficou abaixo do piso do sistema de metas, de 2,5%.

Também passaram a prever um novo corte no juro básico em meados de junho. Para os analistas, a Selic deve chegar ao fim de 2020 em 3% ao ano. Atualmente, a taxa está em 3,75% ao ano.

As projeções fazem parte do boletim de mercado, conhecido como relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira, 20, pelo Banco Central (BC). Os dados foram levantados na semana passada em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

Para o PIB de 2020, a nova previsão dos economistas consultados é de queda de 2,96%. No relatório anterior, que foi produzido com base em consultas feitas na semana retrasada, a expectativa dos analistas era de queda de 1,96%.

Apesar da nova queda, a previsão do mercado para a contração do PIB brasileiro em 2020 ainda está abaixo da divulgada pelo Banco Mundial, que estima um tombo de 5%, e do Fundo Monetário Internacional (-5,3%).

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

A nova redução da expectativa para o nível de atividade foi feita em meio à pandemia do coronavírus, que tem derrubado a economia mundial e colocado o mundo no caminho de uma recessão.

Nas últimas semanas, tanto o Ministério da Economia quanto o Banco Central também revisaram suas estimativas e passaram a prever estabilidade (sem alta, mas também sem contração) do PIB neste ano.

Para o próximo ano, a previsão do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) subiu de 2,70% para 3,10%.

Inflação abaixo do piso da meta

Segundo o relatório divulgado pelo BC, os analistas do mercado financeiro reduziram a estimativa de inflação para 2020 de 2,52% para 2,23%. Foi a sexta redução seguida do indicador.

A expectativa de inflação do mercado para este ano segue abaixo da meta central, de 4% e, com a nova revisão, passou a ficar abaixo também do piso do sistema de metas - de 2,5% neste ano.

Pela regra vigente, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Quando isso acontece, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões para o ocorrido.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Para 2021, o mercado financeiro baixou de 3,50% para 3,40% sua previsão de inflação.

No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Novo corte da Selic

O mercado financeiro já previa uma queda da taxa Selic, atualmente em 3,75% ao ano, para 3,25% ao ano no começo em maio. Na semana passada, os analistas passaram a estimar, também, um novo corte em meados junho, para 3% ao ano (novo piso histórico, se confirmado) - patamar no qual fecharia 2020. 

Para o fim de 2021, a expectativa do mercado permaneceu em 4,50% ao ano ao ano. Isso quer dizer que os analistas seguem estimando alta dos juros no ano que vem.

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