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Bolhas podem jogar milhões na pobreza, diz Banco Mundial

Presidente do órgão diz que sinais são evidentes na Ásia, inclusive na China, onde os preços de ações saltaram

NATHÁLIA FERREIRA, Agencia Estado

25 de novembro de 2009 | 11h40

A economia mundial pós-crise enfrenta novos riscos com as bolhas de investimento, que podem jogar milhões de pessoas de volta à pobreza, afirmou o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick. Segundo ele, embora as ações monetárias e fiscais sem precedentes em todo o mundo tenham resgatado a economia global de uma recessão profunda, elas inevitavelmente criaram riscos.

Sinais de preços de ativos inflados são especialmente evidentes na Ásia, inclusive na China, em Hong Kong e em Cingapura, onde os preços de propriedades e ações saltaram este ano, escreveu Zoellick em artigo publicado no Financial Times nesta quarta-feira. "Bolhas de ativos podem ser a próxima fragilidade conforme o mundo se recupera, ameaçando novamente destruir o sustento e colocar milhões na pobreza", afirmou.

 

Em entrevista concedida ao jornal francês Le Figaro, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, também fez um alerta sobre a economia mundial. Segundo ele, metade das perdas que os bancos sofreram durante a crise financeira pode estar escondida em seus balanços. A proporção das perdas que podem estar "escondidas" é maior na Europa do que nos Estados Unidos, afirmou Strauss-Kahn.

 

"Vou dizer novamente: a história das crises bancárias, especialmente do Japão, mostra que não haverá crescimento saudável e vívido sem uma limpeza completa dos balanços dos bancos", disse, segundo o jornal. Strauss-Kahn afirmou também que o euro está um pouco valorizado.

Já Zoellick instou bancos centrais e formuladores de políticas a lidar com a questão rapidamente ou, segundo ele, as políticas que conduziram a economia à recuperação podem ter um efeito contrário. "Esperar que bolhas estourem e, então, limpar as consequências é agora uma nova lição sobre o que não fazer", escreveu Zoellick. "Seria melhor que o G-20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo) colocasse as bolhas de preços de ativos e novas estratégias de crescimento em sua agenda. Do contrário, as soluções para 2008-09 podem plantar as sementes de problemas em 2010 e além."

Adotar uma política monetária mais apertada quando a recuperação ainda está frágil, especialmente nos EUA, pode descarrilar a retomada e não ser a resposta para as bolhas, ponderou. Zoellick observou que formuladores de políticas na Ásia embarcaram em alternativas para lidar com as próprias bolhas em seus países.

No caso de Cingapura, onde os preços de propriedades aumentaram 16% no terceiro trimestre, autoridades decidiram liberar mais terrenos para projetos residenciais e impedir que os compradores adiem pagamentos até que a construção esteja concluída. As informações são da Dow Jones.

 

(com Cynthia Decloedt, da Agência Estado)

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