Bolívia abre propostas para exportação de gás à Argentina

A estatal boliviana YPFB abre na próxima quarta-feira as propostas das empresas interessadas em exportar gás natural para a Argentina, em cumprimento a um contrato assinado em outubro do ano passado. A encomenda pode selar o retorno dos investimentos petrolíferos à Bolívia, suspensos após a nacionalização do setor de petróleo e gás. Segundo observadores próximos às negociações, as principais companhias que operam no país teriam apresentado propostas e precisarão investir para cumprir novos contratos.A Bolívia se comprometeu a entregar até 27,7 milhões de metros cúbicos de gás por dia à Argentina entre 2010 e 2026. Até 2010, as exportações serão ampliadas dos atuais 7,7 milhões até 16 milhões de metros cúbicos por dia. Cálculos de instituições especializadas apontam que não há capacidade de produção no país para cumprir o contrato e que a perfuração de novos poços produtores é necessária. Para empresas como a espanhola Repsol, a francesa Total ou a britânica BG, por exemplo, trata-se de uma oportunidade para desenvolver reservas já descobertas mas ainda inativas, diz um especialista. "Há alguns megacampos esperando investimentos, que podem ser deslanchados a partir do contrato com a Argentina", confirma Youssef Akly, gerente-geral da Câmara Boliviana de Hidrocarbonetos (CBH), entidade que representa as petroleiras privadas com operações no país.Repsol e BG, por exemplo, são sócias no campo gigante de Margarita, com mais de 200 bilhões de metros cúbicos em reservas, que hoje opera abaixo de sua capacidade por falta de mercado. A Total, também junto à BG, opera o campo de Itaú, próximo aos megacampos da Petrobrás, que também espera apenas um contrato de compra de gás para ser desenvolvido. Nenhum executivo da Petrobrás foi encontrado para comentar o assunto. O modelo de licitação proposto pela Bolívia prevê o rateio do contrato entre todos os interessados, caso o volume de gás proposto pelas companhias seja maior do que o encomendado por Buenos Aires. O objetivo, segundo nota oficial da YPFB, é que todas as empresas se beneficiem do novo contrato. O gás será vendido à Argentina pelo preço inicial de US$ 5 por milhão de BTU (medida de poder calorífico), reajustado de acordo com as variações internacionais do preço do petróleo e derivados.Assinado em meio à crise com as petroleiras, o contrato com a Argentina serviu como importante moeda de troca nas negociações com as empresas a respeito da nacionalização. Em entrevista na época, o ministro boliviano dos hidrocarbonetos, Carlos Villegas, disse que nenhuma companhia gostaria de abrir mão de uma encomenda como essa e, por isso, acreditava que todas ficariam no país. De fato, no final de outubro, as dez companhias privadas que operam no país assinaram 44 novos contratos, já com os termos propostos pela nacionalização.

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